Archive for the ‘Análise tática’ Category

2215544_w2Durante o primeiro tempo do jogo de ida da fase de 16-avos-de-final contra o Tottenham, em White Hart Lane, a Fiorentina teve diversos problemas defensivos atuando em seu habitual 5-3-1-1. Foi um verdadeiro assédio dos Spurs durante 45 minutos, mas que o time italiano, com muita sorte, conseguiu manter o empate por 1-1 até o intervalo, quando Vincenzo Montella passou ao 4-1-4-1 e Viola controlou a segunda etapa.

Para o jogo de volta no Artemio Franchi, o treinador italiano sabia que seu time se classificaria se não sofresse gol, por isso decidiu manter o 4-1-4-1 que tão bom rendimento havia dado em Londres – especialmente com maior segurança defensiva. Desde o primeiro minuto, a Fiorentina não quis arriscar e buscou que um Tottenham, sem Harry Kane, se atascasse tendo que atacar em posicional, algo que era muito comum nos meses prévios a fantástica erupção do jovem atacante inglês. E, definitivamente, o Tottenham se atascou na hora de atacar.

Porém, o que acabou sendo decisivo no confronto foram as falhas individuais do Tottenham. Primeiro, em um contra-ataque, Roberto Soldado saiu livre na frente do goleiro brasileiro Neto com a companhia de Nacer Chadli. Dois jogadores dos Spurs contra o goleiro da Viola. Mas o atacante espanhol resolveu o lance de maneira absurda e acabou recuando a bola para Neto na tentativa de assistir o extremo belga. Depois, durante o segundo tempo, finalmente o plano de jogo de Montella começou a resultar positivamente na hora de atacar – com transições rápidas. Entre Joaquín, Mario Gómez e Mohamed Salah, a Fiorentina criou diversas oportunidades para marcar, mas só chegou ao gol graças a erros da dupla de zaga do Tottenham: Federico Fazio entregou um gol a Gómez e Jan Vertonghen fez o mesmo na anotação de Salah.

Resumidamente, mesmo com Harry Kane jogando a meia hora final – foi poupado pensando na final da Copa da Liga contra o Chelsea, no domingo –, o Tottenham demonstrou um nível muito próximo ao da temporada 2013-14: se atascando em ataque posicional, com seu atacante perdoando o rival quando não poderia e a defesa cometendo erros fatais.

Sem títuloDurante a temporada 2014-15, sob o comando de Roger Schmidt, o Bayer Leverkusen é um time completamente caótico. Não que isso seja necessariamente ruim, mas que torna a equipe capaz do melhor e do pior dentro de um mesmo jogo. Quando o sorteio das oitavas-de-final da Liga dos Campeões foi realizado, o clube alemão ficou sabendo que enfrentaria o Atlético de Madrid de Diego Pablo “Cholo” Simeone, atualmente um dos conjuntos mais capacitados no futebol mundial para identificar as fraquezas de seu adversário e tirar proveito disso.

No caso do Leverkusen, o principal ponto débil do time de Schmidt são as transições defensivas. Por ser um time que pressiona muito em campo contrário e ataca com muitos jogadores, a defesa acaba sempre ficando exposta e o adversário não precisa de muito para chegar ao gol defendido por Bernd Leno. Curiosamente, atacar um adversário exposto com transições é um das melhores armas do Atlético de “Cholo” Simeone, o que nos fez imaginar uma imensa superioridade do clube espanhol no confronto.

Porém, durante o jogo de ida, na Alemanha, é bem provável que o Leverkusen tenha realizado seus 90 minutos menos caóticos na temporada. Roger Schmidt foi consciente de que o Atlético estava pronto para punir qualquer erro mínimo de seu Leverkusen, que respondeu arriscando bem menos que o normal, mesmo tendo 66% do tempo total de posse de bola durante a partida. Os laterais atacaram menos, os meio-campistas arriscaram menos na hora dos passes e em nenhum momento a defesa ficou exposta. Bernd Leno até realizou algumas defesas importantes, mas foram, especialmente, em lances de bola parada.

O retrato mais significativo de como o Leverkusen não arriscou nada além do que considerava necessário foi quando o árbitro checo Pavel Královec expulsou o meio-campista Tiago, deixando o Atlético em inferioridade numérica quando restavam 15 minutos. O time alemão sabia que um segundo gol seria fantástico, mas também era consciente de que o 1-0 conseguido graças ao talento individual de seus jogadores ofensivos – Karim Bellarabi e Hakan Çalhanoglu – estava de bom tamanho pensando na visita ao estádio Vicente Calderón para o jogo de volta. Não era necessário arriscar.

2214206_w2Suponho que, antes da grande atuação contra o Newcastle, no sábado, pelo Campeonato Inglês, Manuel Pellegrini não planejava utilizar um time titular tão ofensivo contra o Barcelona, nesta terça-feira, no jogo de ida das oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Porém, como a atuação do Manchester City havia sido tão espetacular – provavelmente a melhor da temporada –, o treinador chileno decidiu repetir o quarteto ofensivo contra o clube espanhol, com Samir Nasri, David Silva, Edin Dzeko e Sergio “Kun” Agüero.

Acredito que a ideia de Pellegrini estava baseada em que o Manchester City poderia ter bastante posse de bola e superar o Barcelona em uma franca trocação de golpes porque possuía muito talento no setor ofensivo. Porém, o que aconteceu no gramado do estádio Etihad durante os primeiros 40 minutos de jogo foi totalmente o contrário. O Barcelona controlou a partida, dominou a posse de bola, não deixou o City ter o esférico por períodos longos com muita intensidade e aproveitou que os ingleses contavam com quatro jogadores de pouquíssimo trabalho defensivo para criar muitíssimas oportunidades de gol, tudo com a contribuição de um Lionel Messi em um nível pletórico – o argentino havia feito sua pior atuação em 2015 no sábado passado, na derrota para o Málaga.

Resumidamente, o Manchester City não conseguia atacar porque não tinha a bola, não conseguia recuperar o esférico porque possuía muitos jogadores que acrescentavam pouco defensivamente e, cada vez que Leo Messi partia da direita para o centro, o Barcelona criava uma oportunidade de gol – duas foram aproveitadas por Luis Suárez logo no primeiro tempo.

Entretanto, após estes 40 minutos fantásticos do Barcelona, o Manchester City conseguiu reagir e começou a mostrar seu potencial ofensivo porque passou a recuperar a bola mais próximo (e com maior frequência) ao gol defendido por Marc-André ter Stegen. Como os Sky Blues possuem tanto talento individual, as oportunidades de gol começaram a surgir – especialmente no jogo aéreo,  onde os ingleses são claramente superiores. E, depois de Samir Nasri e Edin Dzeko desperdiçarem algumas chances, “Kun” Agüero apareceu para marcar o gol dos Citizens, que ganharam confiança e buscavam conseguir ao menos um empate antes do jogo de volta no Camp Nou.

Porém, a expulsão de Gaël Clichy cinco minutos após a anotação do atacante argentino acabou sendo fatal para o Manchester City, que apenas esperou o término da partida com o 1-2 – o Barcelona tampouco buscou mais um gol, apesar de que, no último minuto, Leo Messi teve a chance de coroar sua atuação decisiva com um gol que garantiria a classificação dos Blaugranas às quartas-de-final, mas a cobrança de pênalti do argentino parou em Joe Hart e a finalização no rebote foi para fora, mantendo o Manchester City com alguma esperança.

Sem títuloMesmo tendo melhorado nas últimas semanas, conseguindo três vitórias consecutivas no Campeonato Alemão, o Borussia Dortmund segue sendo um caos defensivamente. O último jogo do time de Jürgen Klopp no campeonato nacional, contra o Stuttgart, havia demonstrado isso: dois gols sofridos em duas oportunidades criadas pelo rival em 90 minutos. Certamente, a Juventus e Massimiliano Allegri conheciam e buscaram explorar essa debilidade do Dortmund na partida de ida do confronto de oitavas-de-final da Liga dos Campeões.

O primeiro passo da Juventus foi ceder a iniciativa ao Dortmund, para que, desta maneira, o time de Turim não sofresse com a arma mais perigosa da equipe alemã: os roubos de bola em campo contrário seguidos por ataques rápidos e verticais. A partir disso, a Vecchia Signora recuava, obrigava o Dortmund a atacar em estático – o que não agrada o time de Klopp – e esperava para transitar em velocidade com um XI titular preparado para correr: Claudio Marchisio, Paul Pogba, Arturo Vidal, Carlos Tévez e Álvaro Morata são excelentes quando podem realizar ataques verticais em campo aberto – por isso um atacante mais pesado como Fernando Llorente foi reserva. Um plano de jogo que se mostrou excelente para explorar a debilidade defensiva do Dortmund, com os dois gols da Juventus sendo a clara representação do que havia planejado Allegri.

Que Tévez e Morata estivessem em um nível superlativo também teve muita influência na vitória da Juventus. Com a ajuda de Paul Pogba, a dupla de ataque criou os dois gols bianconeris, sendo que o “Apache” esteve próximo de marcar o terceiro gol da Juventus em até três oportunidades durante o segundo tempo, quando os italianos se aproveitaram da queda de intensidade e capacidade para manter a posse de bola do Dortmund para buscar um gol que encaminharia sua classificação – Roberto Pereyra foi outro que quase marcou.

O único “porém” da Juventus no jogo é o motivo que deixa o Dortmund vivo no confronto: o erro de Giorgio Chiellini que propiciou o gol de Marco Reus, algo que pode fazer muita diferença ao término dos 180 minutos.

B-YjCe1CEAAqahXPela segunda vez na temporada 2014-15, o Barcelona passou 90 minutos sem conseguir quebrar o bloqueio defensivo do Málaga no Campeonato Espanhol. Após o empate por 0-0 na Rosaleda, desta vez o time de Javi Gracia surpreendeu ao vencer (0-1) no Camp Nou com uma grande atuação coletiva.

Apesar do gol de Juanmi ter sido anotado graças a um erro brutal de Daniel Alves, o Málaga fez um ótimo jogo ofensivamente considerando que teve apenas 27% do tempo total de posse de bola. Além do gol, a equipe de Javi Gracia teve outra oportunidade claríssima com Ricardo Horta e várias jogadas onde conseguiu colocar a defesa do Barcelona em apuros – poderia ter feito o segundo gol.

Posicionamento tático inicial das equipes

Posicionamento tático inicial das equipes

Já defensivamente, o Málaga esteve fantástico. Tirando as oportunidades criadas a partir de escanteios – a mais clara de Rafinha –, o Barcelona teve uma dificuldade muito grande para desequilibrar a defesa Albiceleste, por mais que o time de Luis Enrique Martínez possuísse o controle territorial, quase que monopolizasse a bola e tivesse uma circulação fluída antes de chegar ao quarto de campo em que o Málaga se concentrava defensivamente. Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar estiveram muito bem vigiados e o Barcelona conseguiu criar apenas três oportunidades de gol com a bola rolando em 90 minutos: uma graças a Messi, outra em jogada de Neymar e a última nos acréscimos do segundo tempo quando Gerard Piqué estava atuando como atacante.

Se nas últimas semanas, na sequência de 11 vitórias consecutivas do Barcelona após a derrota para a Real Sociedad em Anoeta, já havia ficado claro que Leo Messi era o criador de quase tudo ofensivamente do atual time Blaugrana com suas grandes exibições, contra o Málaga a importância do argentino ficou ainda mais exposta, mas desta vez pelo motivo contrário. Por mais que Luis Enrique tenha Andrés Iniesta, Luis Suárez e Neymar, se Messi não tem uma atuação desequilibrante (como não teve este sábado), o Barcelona encontra muitos problemas para furar uma defesa rival que esteja muito fechada e em bom nível.

Jordy Clasie esteve em destaque no estádio Olimpico, sendo fundamental para a boa atuação do Feyenoord

Jordy Clasie esteve em destaque no estádio Olimpico, sendo fundamental para a boa atuação do Feyenoord

Com cinco meio-campistas intensos e com boa capacidade para trocar passes, o Feyenoord dominou a posse de bola em Roma – 60% do tempo para os neerlandeses na primeira hora de partida e 54% nos 90 minutos. Porém, faltou desequilíbrio ao time de Rotterdam justamente por não contar com um extremo veloz para acelerar o ritmo de uma troca de passes lenta – Elvis Manu está lesionado e Jean-Paul Boëtius perdeu seu lugar no XI titular para Tonny Trindade de Vilhena, um jogador que rende melhor pela faixa central, mas que atuou como extremo-esquerdo na capital italiana. Como resultado disso, apesar de ter a bola, o Feyenoord teve dificuldades para criar oportunidades de gol. Um cenário parecido ao que havia enfrentado o time neerlandês na fase prévia da Liga dos Campeões contra o Besiktas, no estádio De Kuip.

Por outro lado, a Roma, que tem sofrido muito em ataque posicional nos últimos meses, não se sentiu desconfortável e aceitou a proposta de jogo do Feyenoord. Não ter a posse de bola significava que o time de Rudi García encontraria espaços para correr e transitar contra uma defesa adiantada e com bastantes limitações. A partir disso, a Roma criou as melhores oportunidades de gol do primeiro tempo, sempre com um plano bem claro: ataques pelo lado direito, com criação de Vasilis Torosidis, Miralem Pjanic e Daniele Verde, que sempre acabavam em um cruzamento onde, normalmente, Gervinho aparecia para finalizar a jogada no lado contrário. Na primeira etapa, foram pelo menos quatro oportunidades de gol criadas desta maneira, incluindo a anotação do extremo costa-marfinense após passe de Verde e assistência de Torosidis.

Principal mecanismo de ataque da Roma no primeiro tempo: foco e criação de jogadas pelo lado direito que acabavam com cruzamentos e finalizações no lado contrário

Principal mecanismo de ataque da Roma no primeiro tempo: foco e criação de jogadas pelo lado direito que acabavam com cruzamentos e finalizações no lado contrário

Para o segundo tempo, algumas coisas mudaram: a Roma passou a utilizar bolas nas costas da defesa do Feyenoord para Gervinho como seu principal recurso ofensivo – porém sem muito sucesso; Trindade de Vilhena cresceu bastante e acrescentou qualidade a troca de passes do Feyenoord; e o time neerlandês finalmente teve uma jogada onde conseguiu desequilibrar a defesa Giallorossi – com o jovem lateral-direito Rick Karsdorp, que havia entrado no lugar do lesionado Luke Wilkshire. Foi na jogada de Karsdorp que o Feyenoord conseguiu chegar ao empate, com Colin Kazim-Richards (em posição de impedimento), após grande defesa de Lukasz Skorupski em cabeceio de Lex Immers.

Na meia hora final, o jogo ficou mais equilibrado. Jogando em casa, a Roma sabia que precisa buscar um resultado melhor que o 1-1 e fez substituições pensando na vitória, mas pouco aconteceu com exceção de uma oportunidade para Seydou Doumbia, com o Feyenoord estando bem defensivamente para manter um empate valioso antes do jogo de volta em Rotterdam.

image_content_detalle_nota_11924642_20150218221012Apesar de muitos rumores terem dito que o Tigres utilizaria uma equipe B na Copa Libertadores 2015, o treinador brasileiro Ricardo “Tuca” Ferratti não poupou ninguém na estreia do time da Universidad Autónoma de Nuevo León na competição sul-americana, contra o Juan Aurich, no estádio Universitario.

Em relação ao jogo, em alguns momentos do primeiro tempo, o Tigres chegou a transmitir a mesma sensação que o Atlas no dia anterior: joga bem, controla o adversário, porém não aproveita as chances e o rival está pronto para punir se encaixar um ataque. Essa impressão aconteceu especialmente após a oportunidade do atacante panamenho Luis Tejada, a única do time peruano enquanto ainda havia jogo, porque, justamente após a ótima defesa do goleiro argentino Nahuel Guzmán, começou um completo massacre do Tigres. A vitória por 3-0, com doblete do equatoriano Joffre Guerrón e um verdadeiro golaço do mexicano Jesús Dueñas, acabou saindo bastante barato para o Juan Aurich. Tranquilamente, o Tigres poderia ter feito seis ou sete gols no jogo.

Posicionamento tático inicial das equipes

Posicionamento tático inicial das equipes

O Tigres jogou em um 4-2-3-1 assimétrico, onde Rafael Sóbis buscava participar muito entre linhas, como um camisa 10 – assiste ao segundo gol do Tigres desta maneira –, porém sem esquecer de pisar na área rival em busca do gol, e com Jesús Dueñas e Guido Pizarro, que em teoria formaram a dupla de meio-campistas defensivos, com funções bastantes distintas: o argentino Pizarro era o responsável pelo saída de bola e pelas coberturas defensivas, enquanto o mexicano Dueñas se projetava ao ataque para acrescentar uma peça a mais no quarteto defensivo. O ex-jogador do Lanús esteve muito bem e foi um dos destaques da equipe de “Tuca” Ferretti – quase marcou dois gols em chutes de fora da área. Já Dueñas mostrou seu estilo de llegador no gol que anotou.

No intervalo, vencendo por 1-0, “Tuca” Ferretti substituiu um apagado Enrique Esqueda pelo extremo colombiano Hernán Darío Burbano. Com essa mudança, Guerrón passou a atuar como atacante, enquanto Burbano assumiu a função pela direita. E isso foi muito efetivo para o Tigres, que viu Guerrón destruir a defesa do Juan Aurich com sua velocidade e potência física sendo o jogador mais adiantado. Quem também esteve em destaque no time mexicano foi o veterano Damián Álvarez, que realizou um segundo tempo notável, com muito desequilíbrio pelo lado esquerdo de ataque felino.

Com um dos elencos mais caros do futebol mexicano e um time que sabe competir muito bem, se o Tigres seguir utilizando força máxima na Libertadores, as chances de uma ótima campanha são grandes, até porque o grupo 6 da competição é bastante acessível – Juan Aurich e San José estão bem abaixo de Tigres e River Plate.