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image_content_detalle_nota_13145917_20150519214318Apesar de possuir ótimos conceitos táticos, frequentemente Ricardo “Tuca” Ferretti prefere jogar para empatar. Foi desta maneira que, no torneio Apertura desta temporada, o Tigres chegou a final empatando as quatro partidas de quartas-de-final e semifinal. Por vezes, esta ideia acaba tendo êxito. Entretanto, não é sempre assim, tanto que no último sábado o time da Universidad Autónoma de Nuevo León foi eliminado pelo Santos Laguna nas quartas-de-final do torneio Clausura após jogar pelo empate fora de casa na ida e tentar manter o 0-0 que o classificava jogando em casa no duelo de volta. Como contamos aqui, o Santos acabou conseguindo marcar um gol no estádio Universitario e posteriormente se classificou para a semifinal.

Contra o Emelec, pelas quartas-de-final da Copa Libertadores, o treinador brasileiro repetiu este plano: fora de casa, o Tigres jogou para manter o empate, mesmo com a recente eliminação no torneio nacional atuando com este plano de jogo. E, por mais que o time equatoriano tenha rompido a sólida defesa do Tigres apenas uma vez em 90 minutos (oportunidade para Ángel Mena nos instantes finais do primeiro tempo), o Emelec acabou vencendo o jogo de ida por 1-0 (primeira derrota do Tigres na Libertadores 2015). Muito porque, quando se passa tantos minutos defendendo em campo próprio com cinco defensores e três meio-campistas trabalhadores – como era a ideia do Tigres –, o menor dos erros acaba custando caro. Por mais que a jogada de Marcos Mondaini no gol de Miller Bolaños tenha sido excelente, a bola só balança as redes felinas porque Nahuel Guzmán comete um grave erro ao não segurar o cruzamento ou ao menos desviá-lo para uma área de menos risco.

Para a partida de volta, o Tigres necessitará ter outra postura, algo parecido com o que aconteceu após o gol de Miller – na jogada posterior a anotação, Joffre Guerrón quase empatou o jogo. Para o Emelec, o 1-0 em casa é um bom resultado, especialmente pelo ponto de vista de que o time terá mais espaços para correr com um rival exposto no jogo de volta. Neste cenário, Ángel Mena e Miller Bolaños podem causar estragos na defesa mexicana.

2247224_w2Atualmente, existe um sintoma claro de que o Real Madrid está jogando mal: todos os ataques passam a terminar em cruzamentos na área rival. Hoje, na volta da semifinal da Liga dos Campeões contra a Juventus, isso voltou a se repetir e acabou sendo um dos fatores que proporcionaram a classificação dos italianos para a final.

Durante o primeiro tempo no Santiago Bernabéu, o Real Madrid não jogou bem. Até porque não consegue jogar bem na ausência de seu principal jogador, Luka Modric. Mas pelo menos teve ordem e conseguiu que seus talentos ofensivos fossem desequilibrantes para marcar o primeiro gol e ter algumas oportunidades para anotar o segundo contra uma Juventus que não conseguia competir (apenas duas finalizações na primeira parte). Muito por conta de Karim Benzema, que mesmo voltando de lesão foi o melhor da sua equipe. O francês sempre da ordem e sentido aos ataques e é peça fundamental, ainda mais durante a ausência de Modric.

O problema foi que a Juventus cresceu no segundo tempo e acabou conseguindo o empate. A partir deste momento, o Real Madrid se desesperou, Carlo Ancelotti substituiu Benzema por Javier “Chicharito” Hernández, todos os ataques madridistas começaram a terminar em cruzamentos na área de Gianluigi Buffon e as melhores oportunidades de gol foram dos italianos (com Claudio Marchisio e Paul Pogba).

Considerando todos os cenários possíveis de sofrimento Bernabéu, o que a Juventus mais desejava foi o que se concretizou: o Real Madrid passou os últimos 15 minutos de jogo tentando superar Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini com cruzamentos laterais e, logicamente, não criou perigo desta maneira. Foram os minutos finais perfeitos para manter o 1-1 e garantir presença na final de Berlim contra o Barcelona.

FBL-EUR-C1-BAYERN-BARCELONAApós o 3-0 da ida com uma atuação história de Lionel Messi, para que tivéssemos alguma emoção no jogo de volta entre Bayern de Munique e Barcelona alguns fatores precisavam se concretizar: o Bayern precisaria atacar bem e marcar um gol nos minutos iniciais, controlar o ataque do Barcelona e contar com Leo Messi em um nível humano.

A primeira situação até aconteceu. O Bayern fez um grande primeiro tempo ofensivamente, criou muitas oportunidades de gol e balançou as redes apenas uma vez porque Marc-André ter Stegen teve uma atuação memorável. O problema para o time de Munique foi que as outras duas chaves para acreditar na virada no confronto não aconteceram. Após 15 minutos, quando o Bayern já havia feito o primeiro gol e acreditava que poderia reverter o que aconteceu no Camp Nou, Leo Messi resolveu aparecer para acabar com as esperanças do time de Guardiola: passe entre linhas sensacional para Luis Suárez que terminou no gol de Neymar.

Além de Messi ter jogado em seu nível de melhor do mundo, em nenhum momento da primeira parte o Bayern conseguiu controlar Luis Suárez e Neymar, o que tornou a partida em uma troca de golpes onde quem possui Messi/Suárez/Neymar sempre tende a sair vencedor. A partir disso, o brasileiro marcou dois gols e o uruguaio teve uma atuação espetacular.

Oportunidades de gol no primeiro tempo: Bayern 7 vs. 4 Barcelona.

Em um jogo de troca de golpes franco, sempre irá vencer quem acerta mais e na maioria das vezes será quem possui maior talento. Em Munique, o Barcelona possuía os melhores atacantes e acertou mais. Além de contar com um goleiro (ter Stegen) que foi fator. Luis Enrique Martínez, questionado até janeiro, conseguiu montar um time fantástico e que será favorito na final de Berlim independentemente do rival (Real Madrid ou Juventus).

No segundo tempo, com o Barcelona pensando mais na decisão do Campeonato Espanhol contra o Atlético de Madrid no próximo domingo e um ritmo muito mais baixo de ambos, o Bayern conseguiu a virada com base no orgulho próprio e com meritórios gols de Robert Lewandowski e Thomas Müller.

unaiApós as duas últimas Copas do Mundo, a sensação deixada pela seleção brasileira era de que havia faltado um “plano B”. Uma opção de jogo diferente em caso de necessidade. Tanto Dunga como Luiz Felipe Scolari pecaram ao acreditar que seu “plano A” era suficiente para conquistar o título mundial e não trabalharam com alternativas para momentos de emergência.

A visão geral em relação a todos os treinadores brasileiros atualmente é a mesma: muitos estão desatualizados em relação aos conceitos futebolísticos atuais. Até mesmo Tite, o melhor técnico brasileiro desta década, parece não ser capaz de elaborar um plano de jogo completo e com várias alternativas como os melhores comandantes do futebol atual, como, por exemplo, Unai Emery.

O atual técnico do Sevilla está conseguindo, durante a temporada 2014-15, ingressar na lista dos melhores treinadores do mundo. Primeiramente, Emery conseguiu fazer com que seu time superasse a perda de Ivan Rakitic para o Barcelona. Durante 2013-14, todo o jogo ofensivo sevillista era baseado na capacidade técnica do meio-campista croata. Para 2014-15, sem Rakitic, Unai conseguiu elaborar diversos planos táticos que compensam a ausência de um jogador de classe mundial e os resultados do clube andaluz são excelentes.

O Sevilla atual pode atacar em posicional baseando seu jogo na capacidade de construção de Éver Banega a frente da defesa e de José Antonio Reyes ou Denis Suárez entre linhas; atacar em posicional com Banega sendo o responsável pela saída de bola e com jogo direito para Vicente Iborra no último terço do campo; atacar com transições verticais baseadas na velocidade de Vitolo e Aleix Vidal com uma defesa posicional sólida a partir de uma dupla de meio-campistas defensivos físicos como Stéphane Mbia e Grzegorz Krychowiak, capaz também de pressionar em campo contrário; e se defender com as linhas recuadas com a solidez propiciada por tanta força física e capacidade de destruição no meio-campo com ataques diretos focados sobre a presença física/aérea de Iborra ou na velocidade dos extremos.

O Sevilla de Unai Emery é um time taticamente espetacular. Além de tantos planos de jogo, os mecanismos táticos também são vistosos e complexos: Vicente Iborra ser meio-campista defensivo sem a bola e segundo atacante quando o time ataca, com Éver Banega fazendo o movimento contrário ou, em construção de ataque posicional, Krychowiak recuar entre os zagueiros, que se abrem e empurram os laterais para o campo contrário enquanto Banega recua como meio-campista defensivo (começa como mediapunta) e os extremos se juntam ao atacante pela faixa central, para citar dois exemplos.

Sempre que tem a oportunidade, a imprensa brasileira costuma comentar que o futebol nacional precisa de um treinador como Pep Guardiola. É impossível, com o mínimo de senso futebolístico, concordar com isso. Atualmente, o Brasil não possui jogadores para oferecer a Guardiola para que o treinador espanhol construa um time como seu melhor Barcelona, ainda mais treinando a seleção principal e colhendo os frutos de vários anos de péssima preparação de jovens futebolistas nas bases da seleção e dos clubes.

O que a seleção brasileira adulta realmente necessita atualmente é um treinador com o repertório de recursos oferecidos por Unai Emery para começar uma mudança. Um treinador que seja capaz de aproveitar os melhores recursos oferecidos pelos jogadores atuais, que possuem, basicamente, o mesmo estilo dos atletas do Sevilla – considerando a diferença de nível (próprio e dos rivais) –, e que consiga acrescentar mecanismos táticos para que o Brasil não repita o que fez entre 2006 e 2014 e que tem tudo para se repetir com Dunga novamente no comando da seleção: um time com um único plano de jogo (pressão em campo contrário ou linhas recuadas com transições ofensivas verticais) e que facilmente se atasca em ataque posicional porque seu treinador não oferece recursos táticos para quebrar defesas adversárias recuadas.

CDHE4usVAAAa3SIApós a derrota no estádio do Dragão, todos os focos estavam nos desfalques que o Bayern de Munique possuía. Eram alguns dos melhores jogadores da equipe, com toda certeza. Mas o que ninguém deu muita atenção é que o Bayern fez uma atuação coletiva totalmente lamentável possuindo um XI titular superior ao XI titular do FC Porto se a comparação era jogador por jogador.

Na Allianz Arena, o Bayern repetiu 10 dos 11 titulares que começaram jogando em Portugal e teve os mesmos desfalques. A única alteração foi a entrada de Holger Badstuber no lugar de Dante. E o que vimos foi uma atuação brutal da equipe de Pep Guardiola. Basicamente, os mesmos jogadores que haviam tido uma atuação ridícula fora de casa tiveram uma das melhores atuações da temporada em Munique.

Em Portugal, o Bayern pareceu um time medíocre sem treinador. Na Alemanha, o Bayern jogou como um time de elite comandado pelo melhor treinador do futebol no século XXI.

Guardiola, logicamente, fez ajustes táticos. Abandonou o 4-3-1-2 travado pelo centro para abrir o campo em 4-4-2 com Philipp Lahm e Mario Götze (com constantes apoios de Juan Bernat) como extremos para atacar os laterais do Porto que eram na verdade zagueiros devido à suspensão dos habituais Danilo e Alex Sandro. Curiosamente, quatro dos seis gols do Bayern aconteceram após cruzamentos laterais.

O Bayern mostrou duas caras tão distintas porque, durante o primeiro tempo na Alemanha, a troca de passes foi muito mais veloz, a intensidade foi brutal, todos os jogadores estiveram em um nível muito superior e o Porto não conseguiu mostrar reação. A superioridade foi tanta que, facilmente, os bávaros marcaram um gol após o outro.

Entretanto, no segundo tempo do jogo de volta, o Bayern diminuiu tanto o ritmo que voltou a parecer o time medíocre da ida, mostrando mais uma vez que os problemas da equipe alemã são maiores no quesito coletivo do que em relação aos desfalques individuais. Jackson Martínez marcou o gol de honra do Porto e por muito pouco não anotou o segundo dos portugueses, algo que teria reaberto o confronto nos minutos finais.

2234939_w2Antes de qualquer coisa, é importante destacar o contexto da partida, com os desfalques do Paris Saint-Germain pesando muito.

O jogo de ida das quartas-de-final da Liga dos Campeões serviu para mostrar ao mundo como é o Barcelona de Luis Enrique Martínez. Qual é a base do treinador. As qualidades e os defeitos. Basicamente, o Barcelona controlou o jogo durante os 90 minutos, mas longe de ser um controle total como no auge com Pep Guardiola.

O Paris Saint-Germain, além de ter marcado um gol, ainda contou com pelo menos quatro oportunidades claras: três mal definidas por Edinson Cavani e uma por Javier Pastore. O Barcelona teve mais posse de bola, mas permitiu bastante jogo a um PSG que, destroçado pelos desfalques de Thiago Motta, Marco Verratti e Zlatan Ibrahimovic, não conseguiu aproveitar.

Ofensivamente, o Barcelona não ataca por meio um domínio/assédio coletivo, mas sim pela capacidade de desequilíbrio de seus três atacantes, algo que fica bem evidente nos três gols blaugranas. O primeiro começa com um roubo em campo contrário de Sergio Busquets que deixa Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar confortáveis para atacar uma defesa do Paris Saint-Germain totalmente exposta – foi decisivo no lance que o jogador do Paris em melhor posicionamento fosse Thiago Silva, que estava machucado e não conseguia correr, mas que não parou o jogo antes para a substituição.

No segundo e terceiros gols, o talento de Luis Suárez ficou em evidência, assim como a fragilidade de David Luiz e Marquinhos (em especial do camisa 32 parisiense). Porém, os gols não foram em jogadas trabalhadas, mas sim em lances nos quais o talento individual do uruguaio fizeram a diferença, algo muito comum no Barcelona versão 2014-15.

Detalhes no Parc des Princes

• Adrien Rabiot e Yohan Cabaye estiveram totalmente superados. Rabiot inclusive perde a bola que gera o gol de Neymar. Dos meio-campistas parisienses, apenas Blaise Matudi conseguiu atuar em bom nível – mais uma vez mostrou o super meio-campista que é.
• Gregory Van Der Wiel sempre foi péssimo em fase defensiva. A Euro 2012 do neerlandês foi trágica. Que em 2015 o lateral ainda esteja jogando em um clube de elite na Europa é um absurdo. Seus problemas em todas as fases defensivas sempre cobram um preço e hoje não foi exceção.
• Incrível como, neste novo estilo de jogo do Barcelona, Andrés Iniesta parece um jogador normal, sendo que até Xavi Hernández em fase final de carreira no primeiro nível mundial consegue causar impacto nos minutos em que atua.
• Mais uma vez, ficou evidente porque na seleção uruguaia quem trabalha defensivamente é Cavani e quem tem liberdade total é Suárez. Diferença brutal entre ambos e um ponto decisivo no confronto.

Sem títuloAntes de a bola rolar na Allianz Arena, a situação do Bayern de Munique não era nada fácil. O 0-0 da ida em Lviv tornava o confronto contra o Shakhtar Donetsk bastante aberto considerando as circunstâncias em que o time de Pep Guardiola chegada ao jogo: muitos desfalques no meio-campo (Xabi Alonso, Thiago Alcântara, Javi Martínez e Philipp Lahm) que prejudicavam a equipe tanto na hora de conseguir equilíbrio defensivo como para ter o controle das ações contra um time capacitado para atacar com transições ofensivas ao possuir vários jogadores desequilibrantes (Douglas Costa, Alex Teixeira e Taison).

A resposta de Guardiola foi a mais simples: já que o treinador espanhol não tinha disponíveis seus meio-campistas para maior equilíbrio e controle, a solução foi juntar no XI titular o máximo de talento ofensivo possível. Com isso, o Bayern atuou em um 4-3-1-2 onde Bastian Schweinsteiger ficava preso à frente da defesa para organizar, Arjen Robben e Frank Ribéry eram os interiores e Mario Götze atuava como 10, deixando Thomas Müller e Robert Lewandowski como dupla de ataque.

Posicionamento tático inicial do Bayern

Posicionamento tático inicial do Bayern

Juntar tantos jogadores capacitados para desequilibrar com apenas um toque na bola deu frutos ao Bayern logo cedo. Foram necessários apenas dois minutos para que Robben, Ribéry e Götze se combinassem pelo centro e a jogada terminasse no pênalti seguido por expulsão de Oleksandr Kucher. Desta maneira, o cenário para o Bayern não poderia ser mais tranquilo: antes dos 10 minutos já vencia por 1-0 e tinha um jogador a mais sobre o campo de Munique.

O restante do primeiro tempo foi um assédio espetacular do Bayern sobre o gol de Andriy Pyatov, com várias oportunidades para marcar. A segunda anotação dos bávaros define bem o que estava sendo a partida e como o Bayern colocava muitos jogadores dentro da área rival: Jérôme Boateng aparece para empurrar a bola para a rede na pequena área em um lance que não era de bola parada. Para ter-se uma ideia de como o Bayern estava com as linhas adiantadas – todo o contrário de um Shakhtar que só se preocupava em não sofrer uma goleada humilhante –, esta não foi a única vez que o zagueiro apareceu nos arredores da área rival em lances que não eram de bola parada.

Na segunda etapa, com o confronto resolvido, o Bayern se limitou a tentar marcar o máximo de gols possíveis – no final, conseguiu sete. O único porém que impediu que a noite dos bávaros fosse perfeita foram as lesões de Robben e Ribéry – que a princípio não parecem graves.