Archive for the ‘Análise tática’ Category

2234939_w2Antes de qualquer coisa, é importante destacar o contexto da partida, com os desfalques do Paris Saint-Germain pesando muito.

O jogo de ida das quartas-de-final da Liga dos Campeões serviu para mostrar ao mundo como é o Barcelona de Luis Enrique Martínez. Qual é a base do treinador. As qualidades e os defeitos. Basicamente, o Barcelona controlou o jogo durante os 90 minutos, mas longe de ser um controle total como no auge com Pep Guardiola.

O Paris Saint-Germain, além de ter marcado um gol, ainda contou com pelo menos quatro oportunidades claras: três mal definidas por Edinson Cavani e uma por Javier Pastore. O Barcelona teve mais posse de bola, mas permitiu bastante jogo a um PSG que, destroçado pelos desfalques de Thiago Motta, Marco Verratti e Zlatan Ibrahimovic, não conseguiu aproveitar.

Ofensivamente, o Barcelona não ataca por meio um domínio/assédio coletivo, mas sim pela capacidade de desequilíbrio de seus três atacantes, algo que fica bem evidente nos três gols blaugranas. O primeiro começa com um roubo em campo contrário de Sergio Busquets que deixa Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar confortáveis para atacar uma defesa do Paris Saint-Germain totalmente exposta – foi decisivo no lance que o jogador do Paris em melhor posicionamento fosse Thiago Silva, que estava machucado e não conseguia correr, mas que não parou o jogo antes para a substituição.

No segundo e terceiros gols, o talento de Luis Suárez ficou em evidência, assim como a fragilidade de David Luiz e Marquinhos (em especial do camisa 32 parisiense). Porém, os gols não foram em jogadas trabalhadas, mas sim em lances nos quais o talento individual do uruguaio fizeram a diferença, algo muito comum no Barcelona versão 2014-15.

Detalhes no Parc des Princes

• Adrien Rabiot e Yohan Cabaye estiveram totalmente superados. Rabiot inclusive perde a bola que gera o gol de Neymar. Dos meio-campistas parisienses, apenas Blaise Matudi conseguiu atuar em bom nível – mais uma vez mostrou o super meio-campista que é.
• Gregory Van Der Wiel sempre foi péssimo em fase defensiva. A Euro 2012 do neerlandês foi trágica. Que em 2015 o lateral ainda esteja jogando em um clube de elite na Europa é um absurdo. Seus problemas em todas as fases defensivas sempre cobram um preço e hoje não foi exceção.
• Incrível como, neste novo estilo de jogo do Barcelona, Andrés Iniesta parece um jogador normal, sendo que até Xavi Hernández em fase final de carreira no primeiro nível mundial consegue causar impacto nos minutos em que atua.
• Mais uma vez, ficou evidente porque na seleção uruguaia quem trabalha defensivamente é Cavani e quem tem liberdade total é Suárez. Diferença brutal entre ambos e um ponto decisivo no confronto.

Sem títuloAntes de a bola rolar na Allianz Arena, a situação do Bayern de Munique não era nada fácil. O 0-0 da ida em Lviv tornava o confronto contra o Shakhtar Donetsk bastante aberto considerando as circunstâncias em que o time de Pep Guardiola chegada ao jogo: muitos desfalques no meio-campo (Xabi Alonso, Thiago Alcântara, Javi Martínez e Philipp Lahm) que prejudicavam a equipe tanto na hora de conseguir equilíbrio defensivo como para ter o controle das ações contra um time capacitado para atacar com transições ofensivas ao possuir vários jogadores desequilibrantes (Douglas Costa, Alex Teixeira e Taison).

A resposta de Guardiola foi a mais simples: já que o treinador espanhol não tinha disponíveis seus meio-campistas para maior equilíbrio e controle, a solução foi juntar no XI titular o máximo de talento ofensivo possível. Com isso, o Bayern atuou em um 4-3-1-2 onde Bastian Schweinsteiger ficava preso à frente da defesa para organizar, Arjen Robben e Frank Ribéry eram os interiores e Mario Götze atuava como 10, deixando Thomas Müller e Robert Lewandowski como dupla de ataque.

Posicionamento tático inicial do Bayern

Posicionamento tático inicial do Bayern

Juntar tantos jogadores capacitados para desequilibrar com apenas um toque na bola deu frutos ao Bayern logo cedo. Foram necessários apenas dois minutos para que Robben, Ribéry e Götze se combinassem pelo centro e a jogada terminasse no pênalti seguido por expulsão de Oleksandr Kucher. Desta maneira, o cenário para o Bayern não poderia ser mais tranquilo: antes dos 10 minutos já vencia por 1-0 e tinha um jogador a mais sobre o campo de Munique.

O restante do primeiro tempo foi um assédio espetacular do Bayern sobre o gol de Andriy Pyatov, com várias oportunidades para marcar. A segunda anotação dos bávaros define bem o que estava sendo a partida e como o Bayern colocava muitos jogadores dentro da área rival: Jérôme Boateng aparece para empurrar a bola para a rede na pequena área em um lance que não era de bola parada. Para ter-se uma ideia de como o Bayern estava com as linhas adiantadas – todo o contrário de um Shakhtar que só se preocupava em não sofrer uma goleada humilhante –, esta não foi a única vez que o zagueiro apareceu nos arredores da área rival em lances que não eram de bola parada.

Na segunda etapa, com o confronto resolvido, o Bayern se limitou a tentar marcar o máximo de gols possíveis – no final, conseguiu sete. O único porém que impediu que a noite dos bávaros fosse perfeita foram as lesões de Robben e Ribéry – que a princípio não parecem graves.

2219905_w2O Basel sabia que, se quisesse pensar em um resultado que o classificasse para as quartas-de-final da Liga dos Campeões no estádio do Dragão, era necessário ter uma postura mais agressiva em relação a que havia tido na partida de ida contra o Porto na Suíça (empate por 1-1). Desta maneira, os primeiros minutos de jogo na cidade portuguesa foram com a equipe de Paulo Sousa pressionando a saída de bola dos Azuis e Brancos em campo contrário.

Entretanto, após alguns minutos iniciais de atasco, o Porto começou a conseguir trocar passes e fazer a bola chegar aos seus homens ofensivos. Desta maneira, Cristian Tello recebeu na entrada da área e foi derrubado pelo (lento) zagueiro Walter Samuel em uma falta que resultaria no primeiro gol dos Dragões – grande cobrança de Yacine Brahimi. Um gol logo cedo que significava tranquilidade.

Precisando ao menos do empate, a ideia do Basel era adiantar as linhas, porém o Porto, baseado no trabalho sem a bola de Casemiro, na intensidade de Héctor Herrera e na capacidade para defender o jogo direto para Marco Streller, acabou frustrando as tentativas do time de Paulo Sousa e dominou completamente todo o jogo. Brahimi esteve participativo, a velocidade de Tello sempre foi uma ameaça e Vincent Aboubakar esteve muito bem na difícil missão de substituir o machucado Jackson Martínez – além do imperial trabalho de Casemiro e Herrera no meio-campo.

Após ter sido imensamente superior durante o primeiro tempo, mas tendo conseguido apenas um gol, o Porto não diminuiu o ritmo para a segunda etapa e acabou colhendo os frutos de uma atuação tão positiva com mais três anotações que, assim como o gol de Brahimi, foram de grande qualidade. Em suma, desde o gol de Derlis González nos primeiros minutos do jogo de ida, o Basel em nenhum momento conseguiu competir com o Porto de Julen Lopetegui.

REU_1843460Na sexta-feira, na coletiva de imprensa prévia ao confronto contra o Athletic Bilbao (derrota por 1-0 do Real Madrid), Carlo Ancelotti afirmou que “se Isco estiver bem fisicamente, é titular, assim como o trio BBC”. Por mais que a temporada de Isco esteja sendo impressionante, esta declaração mostra como o treinador italiano está perdido em Madrid.

Se Isco, Gareth Bale, Cristiano Ronaldo e Karim Benzema estiverem bem fisicamente, são titulares. E James Rodríguez? Gastar 80 milhões de euros por um jogador reserva certamente não parece uma boa ideia e que não agradaria a direção Merengue. Estas decisões de Ancelotti são o que tem gerado maior debate na Espanha. Por mais que Bale, Ronaldo e Benzema joguem mal, seu lugar no time titular é indiscutível e estes jogadores não são substituídos nem quando estão tendo atuações patéticas – Javier “Chicharito” Hernández jogou 209 minutos no Campeonato Espanhol. Por outro lado, Toni Kroos jogou mais de 85% de todos os minutos do Real Madrid em 2014-15 e está completamente esgotado fisicamente para a parte decisiva da temporada – consequentemente, seu nível está sendo baixíssimo. Para finalizar, Jesé Rodríguez, após uma grave lesão, é quase sempre a primeira opção no banco de reservas, sendo que o jovem espanhol claramente não está com o suficiente ritmo de jogo para fazer a diferença em 25 minutos, mas aqui voltamos ao ponto em que Bale, Cristiano Ronaldo e Benzema são titulares sempre e não existe maneira de Jesé recuperar o ritmo.

Ancelotti tem seus méritos em Madrid, como levar o maior campeão europeu a reconquistar a Liga dos Campeões após 12 anos, mas fez isto com um time montado por José Mourinho e pela diretoria. Que Dani Carvajal, Pepe, Sergio Ramos, Fábio Coentão, Bale, Luka Modric, Xabi Alonso, Ángel Di María, Ronaldo e Benzema estivessem em um nível tão alto também facilitou o caminho. Porém, os méritos do italiano de 55 anos terminam por aí.

O Real Madrid atual, coletivamente, é um time sem virtudes. Os aspectos positivos são individuais, até porque tanta qualidade garantem certos resultados. Ancelotti não faz nada para mudar o desastre coletivo da atual equipe, por mais que a lesão de Luka Modric – o jogador mais insubstituível do elenco – tenha sido um duro golpe. O Real Madrid tem problemas em ataque posicional, se defende francamente mal, o meio-campo tem dificuldade para elaborar sem o croata e problemas maiores sem a bola, a ajuda dos homens de ataque à defesa é inexistente, Cristiano Ronaldo está mais preocupado com questões extracampo do que em assumir a liderança de um time sem líderes na ausência de Sergio Ramos e o talento individual nem sempre resolve.

Eliminado logo cedo na Copa do Rei, ainda sem ter enfrentado um rival de nível equivalente na Liga dos Campeões e caminho a passos largos para entregar o Campeonato Espanhol ao Barcelona. Neste ritmo, é bem provável que a temporada do Real Madrid termine sem título.

B_H7Uv0WoAAzxO1Roma e Juventus se enfrentavam nesta segunda-feira para decidir se teríamos uma disputa pelo título do Campeonato Italiano nesta temporada. O empate por 1-1, apesar de manter a vantagem do time de Turim em nove pontos, acaba sendo um passo importante para a Juventus conquistar mais um scudetto. Por diferença de pontos e sensação futebolística, seria um milagre que a Roma conseguisse uma reação nas 13 rodadas restantes.

Como quem possuía a obrigação de vencer era a Roma, a Juventus cedeu a iniciativa da partida para o time de Rudi García, com um plano de jogo parecido ao executado contra o Borussia Dortmund, no jogo de ida das oitavas-de-final da Liga dos Campeões, mas com algumas variações: Andrea Pirlo e Paul Pogba não estavam disponíveis e, como não precisava construir uma vantagem para a partida de volta, a Juventus foi mais conservadora ao atuar no 5-3-2. A ideia de Massimiliano Allegri era clara: tirar os espaços que a Roma precisa para correr quando ataca e fazer o rival Giallorossi se atascar em ataques posicionais, que foi exatamente o que aconteceu durante os primeiros 70 minutos do jogo na capital italiana – muita superioridade da Juventus neste período.

Para atacar, a Juventus buscava as transições em campo aberto, mas não conseguiu ter muito sucesso porque esbarrou na potência física dos zagueiros da Roma – Mapou Yanga-Mbiwa e Kostas Manolas. Mesmo assim, a Vecchia Signora sempre deu mais sensação de perigo ao gol adversário que a Roma. Porém, a Juventus só conseguiu concretizar seu domínio no minuto 64’, quando Vasilis Torosidis foi expulso após o segundo cartão amarelo e Carlos “Apache” Tévez, justamente na cobrança da falta cometida pelo lateral-direito grego, fez o primeiro gol da partida.

Quando tudo parecia resolvido e a Juventus dava um grande passe para o quarto título italiano consecutivo, a Roma reagiu e mostrou vida. Nos 20 minutos finais no estádio Olimpico, Alessandro Florenzi, Radja Nainggolan e Juan Iturbe, as três substituições de Rudi García, acrescentaram outra intensidade e muito mais vontade ao time romano, que conseguiu empatar o graças à bola parada. As duas melhores oportunidades da Roma durante os 90 minutos foram em faltas laterais: Gianluigi Buffon evitou o empate em cabeceio de Manolas, mas não conseguiu fazer o mesmo quando a finalização foi de Seydou Keita.

2215544_w2Durante o primeiro tempo do jogo de ida da fase de 16-avos-de-final contra o Tottenham, em White Hart Lane, a Fiorentina teve diversos problemas defensivos atuando em seu habitual 5-3-1-1. Foi um verdadeiro assédio dos Spurs durante 45 minutos, mas que o time italiano, com muita sorte, conseguiu manter o empate por 1-1 até o intervalo, quando Vincenzo Montella passou ao 4-1-4-1 e Viola controlou a segunda etapa.

Para o jogo de volta no Artemio Franchi, o treinador italiano sabia que seu time se classificaria se não sofresse gol, por isso decidiu manter o 4-1-4-1 que tão bom rendimento havia dado em Londres – especialmente com maior segurança defensiva. Desde o primeiro minuto, a Fiorentina não quis arriscar e buscou que um Tottenham, sem Harry Kane, se atascasse tendo que atacar em posicional, algo que era muito comum nos meses prévios a fantástica erupção do jovem atacante inglês. E, definitivamente, o Tottenham se atascou na hora de atacar.

Porém, o que acabou sendo decisivo no confronto foram as falhas individuais do Tottenham. Primeiro, em um contra-ataque, Roberto Soldado saiu livre na frente do goleiro brasileiro Neto com a companhia de Nacer Chadli. Dois jogadores dos Spurs contra o goleiro da Viola. Mas o atacante espanhol resolveu o lance de maneira absurda e acabou recuando a bola para Neto na tentativa de assistir o extremo belga. Depois, durante o segundo tempo, finalmente o plano de jogo de Montella começou a resultar positivamente na hora de atacar – com transições rápidas. Entre Joaquín, Mario Gómez e Mohamed Salah, a Fiorentina criou diversas oportunidades para marcar, mas só chegou ao gol graças a erros da dupla de zaga do Tottenham: Federico Fazio entregou um gol a Gómez e Jan Vertonghen fez o mesmo na anotação de Salah.

Resumidamente, mesmo com Harry Kane jogando a meia hora final – foi poupado pensando na final da Copa da Liga contra o Chelsea, no domingo –, o Tottenham demonstrou um nível muito próximo ao da temporada 2013-14: se atascando em ataque posicional, com seu atacante perdoando o rival quando não poderia e a defesa cometendo erros fatais.

Sem títuloDurante a temporada 2014-15, sob o comando de Roger Schmidt, o Bayer Leverkusen é um time completamente caótico. Não que isso seja necessariamente ruim, mas que torna a equipe capaz do melhor e do pior dentro de um mesmo jogo. Quando o sorteio das oitavas-de-final da Liga dos Campeões foi realizado, o clube alemão ficou sabendo que enfrentaria o Atlético de Madrid de Diego Pablo “Cholo” Simeone, atualmente um dos conjuntos mais capacitados no futebol mundial para identificar as fraquezas de seu adversário e tirar proveito disso.

No caso do Leverkusen, o principal ponto débil do time de Schmidt são as transições defensivas. Por ser um time que pressiona muito em campo contrário e ataca com muitos jogadores, a defesa acaba sempre ficando exposta e o adversário não precisa de muito para chegar ao gol defendido por Bernd Leno. Curiosamente, atacar um adversário exposto com transições é um das melhores armas do Atlético de “Cholo” Simeone, o que nos fez imaginar uma imensa superioridade do clube espanhol no confronto.

Porém, durante o jogo de ida, na Alemanha, é bem provável que o Leverkusen tenha realizado seus 90 minutos menos caóticos na temporada. Roger Schmidt foi consciente de que o Atlético estava pronto para punir qualquer erro mínimo de seu Leverkusen, que respondeu arriscando bem menos que o normal, mesmo tendo 66% do tempo total de posse de bola durante a partida. Os laterais atacaram menos, os meio-campistas arriscaram menos na hora dos passes e em nenhum momento a defesa ficou exposta. Bernd Leno até realizou algumas defesas importantes, mas foram, especialmente, em lances de bola parada.

O retrato mais significativo de como o Leverkusen não arriscou nada além do que considerava necessário foi quando o árbitro checo Pavel Královec expulsou o meio-campista Tiago, deixando o Atlético em inferioridade numérica quando restavam 15 minutos. O time alemão sabia que um segundo gol seria fantástico, mas também era consciente de que o 1-0 conseguido graças ao talento individual de seus jogadores ofensivos – Karim Bellarabi e Hakan Çalhanoglu – estava de bom tamanho pensando na visita ao estádio Vicente Calderón para o jogo de volta. Não era necessário arriscar.