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Luka Modric é o melhor exemplo do que é um

Luka Modric é o melhor exemplo do que é um “volante que sabe jogar”

Primeiro: não utilizo a palavra “volante” em meu vocabulário. Segundo: enquanto não desmentirem este termo de “volante que sabe jogar” qualquer seleção brasileira seguirá sendo sofrível de assistir. Pode até ganhar títulos, mas nunca irá jogar um futebol bonito. Em algum momento, algum “entendido” de futebol chamou jogadores como Paulinho, Fernandinho, Casemiro, Ramires, Elias, Felipe Melo, Jucilei, Souza (São Paulo), Fred e Fernando (ambos do Shakhtar Donetsk), entre outros, de “volantes que sabem jogar”. Isso é a maior mentira recente do futebol brasileiro. Nenhum destes exemplos “sabe jogar”. Todos dependem de sua capacidade física – seja para recuperar a bola ou para pisar na área rival – e possuem pouquíssima qualidade técnica. Meio-campista que pisa na área rival e faz gols não é “volante que saiba jogar”, mas sim box-to-box. Um box-to-box não necessariamente “sabe jogar”, mesmo anotando gols. É como aquele atacante fraco tecnicamente que empurra a bola para o gol pela pura inércia de estar na área rival.

Atualmente, Luka Modric, Toni Kroos, Sergio Busquets, Xabi Alonso, Nemanja Matic, Cesc Fàbregas, Andrea Pirlo, Marco Verratti, Jordy Clasie, Éver Banega, Dani Parejo, André Gomes, João Moutinho, Óliver Torres, İlkay Gündogan, Granit Xhaka, Michael Carrick, Ander Herrera e Santi Cazorla são alguns exemplos de “volantes que sabem jogar”.

“Volantes que sabem jogar” são aqueles que conseguem construir jogo. Que fazem sua equipe dominar a bola e estabelecer ataques em campo rival. Meio-campistas que superem linhas rivais com passes verticais e que superem a pressão rival em campo contrário com giros e passes. Nenhum dos brasileiros citados como exemplos conseguem fazer isso. Ter pelo menos um jogador com estas características é fundamental para qualquer equipe que deseja ter posse de bola, seja por vontade própria ou por inércia. No caso do Brasil, a inércia resulta em que 95% das seleções adversárias joguem com as linhas recuadas e cedendo a iniciativa, o que tira os espaços para correr pelos lados e reduz bastante os espaços entre linhas. Neste cenário, é impossível conseguir jogar de maneira bonita ou até mesmo eficiente não possuindo meio-campistas construtores (volantes que sabem jogar). É o que acontece com a seleção brasileira, que, na maioria das vezes, se atasca contra rivais menores que sedem a iniciativa ao conjunto verde-amarelo e a obrigam a construir futebol.

O torcedor ou analista brasileiro precisa parar de enganar-se achando que boas atuações com um plano contra-golpeador baseado em transições é jogar bem. Neste caso, é jogar de maneira eficiente. Nos últimos tempos, é frequente ver a seleção brasileira vencendo grandes seleções porque não precisou ter a iniciativa de construir futebol, esperando em campo próprio para correr em contra-ataques. Em contrapartida, o Brasil se atasca em vários jogos contra seleções menores quando precisou construir jogo e estabelecer seus ataques em campos contrários sem espaços para correr. É o que acontece frequentemente com seleções africanas. Atualmente, o Brasil parece uma seleção africana por conta do trabalho de formação ser voltado para a parte física e habilidade individual, com o técnico, tático e coletivo sendo deixados de lado. Utilizando como base o último artigo em relação ao futebol brasileiro, as seleções africanas e, neste caso, o Brasil também, acabam sendo melhores individualmente do que coletivamente.

2651598_big-lndLeitura recomendada¹: A seleção brasileira não precisa de Pep Guardiola, precisa de Unai Emery

Leitura recomendada²: Alemanha: cada vez mais referência

Leitura recomendada³: Euro sub-19: Alemanha-Portugal fazem a final

Mais uma vez, estamos em tempo de críticas a qualquer assunto que envolve a seleção brasileira: desde Dunga até a Confederação Brasileira de Futebol, passando pela falta de talento individual ou a irresponsabilidade de Neymar. Entretanto, o problema do futebol brasileiro atualmente me parece bastante claro: reclama-se da maneira como a seleção principal joga, mas ninguém reflete que cada seleção de base do Brasil possui os mesmos problemas dos adultos. Se a formação já mostra problemas e segue sendo mal feita, o normal é que, com o passar dos anos, este futebol lamentável capaz de ser superado por uma Paraguai medíocre siga igual. Não adianta trocar Dunga por outro treinador brasileiro se a matéria-prima oferecida ao treinador seguirá contendo os mesmos problemas que resultaram nos péssimos resultados nas duas últimas Copas América e na última Copa do Mundo.

A seleção brasileira sub-20 acaba de ser vice-campeã do Mundial da categoria na Nova Zelândia. O resultado é bom. As sensações, não. Primeiro que ter chegado a final foi um acidente da natureza tendo visto a superioridade demonstrada por Portugal nas quartas-de-final. Segundo que é uma seleção “mais do mesmo” e sem nenhum plano de jogo – uma seleção de base da Alemanha possui pelo menos três planos elaborados. Laterais que atacam de maneira impulsiva, meio-campistas defensivos apenas com capacidade física e nenhuma noção de construção de futebol, extremos e meio-campistas ofensivos que não fazem ideia de como elaborar um ataque posicional e se atascam se não possuem espaços para correr, exatamente como a seleção adulta. É assim na atual seleção sub-20, é assim (inclusive pior) na seleção que está sendo preparada para as Olimpíadas no Rio de Janeiro e é assim com qualquer seleção de base dos últimos/próximos anos.

Se o futebol brasileiro não assimilar que precisa mudar a forma com que prepara seus jovens talentos – como a Alemanha fez -, o Brasil seguirá com uma seleção medíocre por muitos anos. O problema não está no treinador da seleção principal ou na ausência de dois ou três nomes na convocação. O problema é formação. Os bons jogadores formados pelo futebol brasileiro recentemente são bons porque possuem um talento natural, não porque foram bem trabalhados. Com isso, não conseguem formar um time sólido e com ideias claras. Cada um é bom individualmente e todos horríveis coletivamente. Neymar é a grande representação disso: individualmente é capaz de tudo, mas ninguém ganha um campeonato sozinho e, acima de tudo, o atacante do Barcelona não consegue elevar o nível de seus companheiros. Caso a situação do futebol no Brasil siga desta maneira, a tendência é piorar ainda mais com o passar dos anos.

image_content_detalle_nota_13556528_20150619191808Considerando o que foi dito no artigo prévio, o México fracassou em seu objetivo de superar a fase de grupos da Copa América 2015 com uma “seleção B”. Péssima campanha do conjunto de Miguel “Piojo” Herrera, com pouquíssimas sensações positivas. As únicas boas impressões deixadas pelo México aconteceram na segunda rodada, no empate contra o Chile: por mais que os donos da casa tenham merecido a vitória, a atuação ofensiva e a pressão em campo contrário da seleção asteca foram bastante interessantes. Contra Bolívia e Equador, 180 minutos nefastos do México, com muitos problemas na elaboração de jogo – basta ver os dois gols sofridos contra os equatorianos em erros na saída de bola.

Individualmente, poucos destaques. Raúl Jiménez e Vicente Matías Vuoso, com dois gols cada, foram os menos piores – não chegaram a ter atuações de grande nível apesar de serem os responsáveis por todos os gols anotados pelo time. Defensivamente, todos deixaram sensações negativas: Hugo Ayala está mal em quatro dos cinco gols sofridos e Javier Güémez mostrou-se um verdadeiro desastre como único meio-campista defensivo, para citar dois exemplos. “Piojo” Herrera é outro que deixa a competição sul-americana com avaliação negativa ao ter realizado decisões questionáveis (poucos minutos para Marco Fabián e nenhum protagonismo para Luis “Chapo” Montes, por exemplo) e ter montado uma seleção completamente sem ideias – em muitos momentos, ofensivamente inofensiva. Inclusive Jesús Manuel “Tecatito” Corona, o melhor mexicano durante os amistosos prévios, esteve discreto durante os jogos em território chileno.

unnamedAntes de qualquer coisa, é bom esclarecer a situação da seleção mexicana que disputará a Copa América no Chile: a Concacaf “obrigou” o México a convocar seus melhores jogadores para a disputa da Copa Ouro, que começa na primeira semana de julho. Além disso, a seleção mexicana precisa vencer o torneio da Concacaf para disputar um playoff contra os Estados Unidos para decidir quem será o representante da confederação na Copa das Confederações de 2017. Por estes dois fatores, a convocação se Miguel “Piojo” Herrera para a Copa América é composta por uma “seleção B” do México.

Porém, existem três exceções. Três jogadores que pertencem a “seleção A” e que estarão na competição sul-americana: Rafael Márquez, Jesús Manuel “Tecatito” Corona e Raúl Jiménez. Em teoria, José de Jesús Corona e Alfredo Talavera, dois dos goleiros convocados para a Copa América, também fazem parte da “seleção A”, mas como seriam suplentes de Guillermo Ochoa acabaram convocados para a disputa no Chile.

É a partir destes jogadores que o México montará uma base para alcançar o objetivo na Copa América 2015: superar a fase de grupos e jogar as quartas-de-final. Para isso, a seleção asteca terá que competir contra o Equador pela segunda colocação do grupo A ou para fazer um número de pontos suficientes para classificar-se como um dos dois melhores terceiros colocados (são três grupos). A “seleção B” do México é inferior ao Chile, superior a Bolívia e capaz de competir com os equatorianos.

No caminho até o território chileno, o México disputou três amistosos, com três resultados diferentes: vitória sobre a Guatemala, empate contra o Peru e derrota para o Brasil. As sensações deixadas também foram diferentes. Contra os guatemaltecos, uma diferença muito grande de nível e poucas conclusões. Contra os peruanos, uma atuação ruim que terminou em empate graças a “Tecatito” Corona. E, no último amistoso, derrota com sensações positivas contra o Brasil, com a defesa estando mal (fragilidade do trio de zaga e dificuldades para defender o jogo aéreo rival), mas conseguindo ter posse de bola e mostrando recursos ofensivos (bem Raúl Jiménez e fantástico primeiro tempo de “Tecatito”) contra um dos maiores favoritos ao título sul-americano.

No Chile, o México espera que Rafa Márquez comande a defesa e seja o organizador do jogo ofensivo, que Raúl Jiménez encontre seu melhor nível para ser a referência ofensiva após jogar pouco no Atlético de Madrid e que “Tecatito” Corona confirme a ótima temporada com o Twente para desequilibrar entre linhas como fez nos amistosos preparatórios. “Tecatito”, inclusive, deve ser o único jogador mexicano a disputar tanto a Copa América como a Copa Ouro.

Taticamente, o México vai atuar com cinco defensores, seja em 5-3-2 (um meio-campista defensivo e dois interiores) ou 5-2-1-2 (dois meio-campistas defensivos e um enganche). Durante alguns minutos contra o Brasil, foi testado um 4-1-3-2 com Rafa Márquez abandonando a linha defensiva para se tornar meio-campista, mas isso parece apenas uma alternativa para casos extremos (superioridade do rival no meio-campo, por exemplo).

image_content_detalle_nota_13145917_20150519214318Apesar de possuir ótimos conceitos táticos, frequentemente Ricardo “Tuca” Ferretti prefere jogar para empatar. Foi desta maneira que, no torneio Apertura desta temporada, o Tigres chegou a final empatando as quatro partidas de quartas-de-final e semifinal. Por vezes, esta ideia acaba tendo êxito. Entretanto, não é sempre assim, tanto que no último sábado o time da Universidad Autónoma de Nuevo León foi eliminado pelo Santos Laguna nas quartas-de-final do torneio Clausura após jogar pelo empate fora de casa na ida e tentar manter o 0-0 que o classificava jogando em casa no duelo de volta. Como contamos aqui, o Santos acabou conseguindo marcar um gol no estádio Universitario e posteriormente se classificou para a semifinal.

Contra o Emelec, pelas quartas-de-final da Copa Libertadores, o treinador brasileiro repetiu este plano: fora de casa, o Tigres jogou para manter o empate, mesmo com a recente eliminação no torneio nacional atuando com este plano de jogo. E, por mais que o time equatoriano tenha rompido a sólida defesa do Tigres apenas uma vez em 90 minutos (oportunidade para Ángel Mena nos instantes finais do primeiro tempo), o Emelec acabou vencendo o jogo de ida por 1-0 (primeira derrota do Tigres na Libertadores 2015). Muito porque, quando se passa tantos minutos defendendo em campo próprio com cinco defensores e três meio-campistas trabalhadores – como era a ideia do Tigres –, o menor dos erros acaba custando caro. Por mais que a jogada de Marcos Mondaini no gol de Miller Bolaños tenha sido excelente, a bola só balança as redes felinas porque Nahuel Guzmán comete um grave erro ao não segurar o cruzamento ou ao menos desviá-lo para uma área de menos risco.

Para a partida de volta, o Tigres necessitará ter outra postura, algo parecido com o que aconteceu após o gol de Miller – na jogada posterior a anotação, Joffre Guerrón quase empatou o jogo. Para o Emelec, o 1-0 em casa é um bom resultado, especialmente pelo ponto de vista de que o time terá mais espaços para correr com um rival exposto no jogo de volta. Neste cenário, Ángel Mena e Miller Bolaños podem causar estragos na defesa mexicana.

2247224_w2Atualmente, existe um sintoma claro de que o Real Madrid está jogando mal: todos os ataques passam a terminar em cruzamentos na área rival. Hoje, na volta da semifinal da Liga dos Campeões contra a Juventus, isso voltou a se repetir e acabou sendo um dos fatores que proporcionaram a classificação dos italianos para a final.

Durante o primeiro tempo no Santiago Bernabéu, o Real Madrid não jogou bem. Até porque não consegue jogar bem na ausência de seu principal jogador, Luka Modric. Mas pelo menos teve ordem e conseguiu que seus talentos ofensivos fossem desequilibrantes para marcar o primeiro gol e ter algumas oportunidades para anotar o segundo contra uma Juventus que não conseguia competir (apenas duas finalizações na primeira parte). Muito por conta de Karim Benzema, que mesmo voltando de lesão foi o melhor da sua equipe. O francês sempre da ordem e sentido aos ataques e é peça fundamental, ainda mais durante a ausência de Modric.

O problema foi que a Juventus cresceu no segundo tempo e acabou conseguindo o empate. A partir deste momento, o Real Madrid se desesperou, Carlo Ancelotti substituiu Benzema por Javier “Chicharito” Hernández, todos os ataques madridistas começaram a terminar em cruzamentos na área de Gianluigi Buffon e as melhores oportunidades de gol foram dos italianos (com Claudio Marchisio e Paul Pogba).

Considerando todos os cenários possíveis de sofrimento Bernabéu, o que a Juventus mais desejava foi o que se concretizou: o Real Madrid passou os últimos 15 minutos de jogo tentando superar Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini com cruzamentos laterais e, logicamente, não criou perigo desta maneira. Foram os minutos finais perfeitos para manter o 1-1 e garantir presença na final de Berlim contra o Barcelona.

FBL-EUR-C1-BAYERN-BARCELONAApós o 3-0 da ida com uma atuação história de Lionel Messi, para que tivéssemos alguma emoção no jogo de volta entre Bayern de Munique e Barcelona alguns fatores precisavam se concretizar: o Bayern precisaria atacar bem e marcar um gol nos minutos iniciais, controlar o ataque do Barcelona e contar com Leo Messi em um nível humano.

A primeira situação até aconteceu. O Bayern fez um grande primeiro tempo ofensivamente, criou muitas oportunidades de gol e balançou as redes apenas uma vez porque Marc-André ter Stegen teve uma atuação memorável. O problema para o time de Munique foi que as outras duas chaves para acreditar na virada no confronto não aconteceram. Após 15 minutos, quando o Bayern já havia feito o primeiro gol e acreditava que poderia reverter o que aconteceu no Camp Nou, Leo Messi resolveu aparecer para acabar com as esperanças do time de Guardiola: passe entre linhas sensacional para Luis Suárez que terminou no gol de Neymar.

Além de Messi ter jogado em seu nível de melhor do mundo, em nenhum momento da primeira parte o Bayern conseguiu controlar Luis Suárez e Neymar, o que tornou a partida em uma troca de golpes onde quem possui Messi/Suárez/Neymar sempre tende a sair vencedor. A partir disso, o brasileiro marcou dois gols e o uruguaio teve uma atuação espetacular.

Oportunidades de gol no primeiro tempo: Bayern 7 vs. 4 Barcelona.

Em um jogo de troca de golpes franco, sempre irá vencer quem acerta mais e na maioria das vezes será quem possui maior talento. Em Munique, o Barcelona possuía os melhores atacantes e acertou mais. Além de contar com um goleiro (ter Stegen) que foi fator. Luis Enrique Martínez, questionado até janeiro, conseguiu montar um time fantástico e que será favorito na final de Berlim independentemente do rival (Real Madrid ou Juventus).

No segundo tempo, com o Barcelona pensando mais na decisão do Campeonato Espanhol contra o Atlético de Madrid no próximo domingo e um ritmo muito mais baixo de ambos, o Bayern conseguiu a virada com base no orgulho próprio e com meritórios gols de Robert Lewandowski e Thomas Müller.