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Sergej-Milinkovic1Com menos dinheiro para gastar que seus rivais diretos, a Lazio conseguiu montar um elenco capaz de conquistar um lugar na Liga dos Campeões com a terceira colocação no Campeonato Italiano em 2014-15. Após o nono lugar no torneio nacional em 2013-14, foram os pequenos investimentos em jogadores de ligas secundárias ou com custo-benefício interessante em ligas maiores que permitiram ao time azul de Roma superar Napoli, Milan e Internazionale na briga por um lugar na principal competição de clubes do mundo.

Stefan De Vrij, Maurício, Santiago Gentiletti, Lucas Biglia e Felipe Anderson são alguns exemplos de jogadores adquiridos por preços acessíveis em mercados secundários nos últimos anos, além de aquisições em campeonatos maiores ou dentro da própria Itália de nomes como Dusan Basta, Marco Parolo, Antonio Candreva, Filip Djordjevic e Miroslav Klose que demonstraram um ótimo custo-benefício. Isso sem contar os jovens que terminaram sua formação na base do próprio clube como Danilo Cataldi, Ogenyi Onazi e Keita Baldé. Para a temporada 2015-16, mesmo com o ingresso do dinheiro da Liga dos Campeões, o conjunto Biancocelesti seguiu com a mesma linha de contratações: Patric (Barcelona B), Wesley Hoedt (AZ Alkmaar), Sergej Milinkovic-Savic (KRC Genk) e Ricardo Kishna (Ajax).

Pensando na disputa do torneio continental, caso consiga superar o playoff prévio, a Lazio tem tudo para ser um dos times mais interessantes para se observar. A equipe de Stefano Pioli é capaz de dominar os jogos com posse de bola e ataques posicionais em campo contrário a partir da qualidade técnica para a construção de nomes como Lucas Biglia, Marco Parolo e Danilo Cataldi, mas também possui uma devastadora velocidade pelos lados com Antonio Candreva, Felipe Anderson e agora Ricardo Kishna capaz de criar problemas para qualquer rival europeu em transições – neste cenário, a presença física e intensidade de Ogenyi Onazi ou Sergej Milinkovic-Savic no meio-campo pode ser um diferencial.

Entre as contratações realizadas neste verão europeu, chamam a atenção as chegadas do meio-campista Milinkovic-Savic e do extremo Kishna a Roma. O sérvio realizou um Mundial sub-20 espetacular e merecia este salto a uma grande liga após um ano no KRC Genk, enquanto o neerlandês teve problemas extracampo com Frank De Boer e a Lazio aproveitou-se de uma grande oportunidade oferecida pelo mercado já que um talento tão interessante de apenas 20 anos não estaria disponível por um valor tão baixo (3 milhões de euros) em outra situação. Vale destacar também o zagueiro Hoedt, que chega a custo zero em outra oportunidade de mercado: a Lazio espera conseguir outro defensor com o nível de De Vrij em uma operação sem riscos financeiros.

Elenco da Lazio para a temporada 2015-16

Elenco da Lazio para a temporada 2015-16

08d2aDesde a chegada de Edinson Cavani a Paris, cada vez menos a responsabilidade goleadora está com Zlatan Ibrahimovic. Laurent Blanc, procurando uma maneira de encaixar os dois atacantes em seu habitual 4-3-3, buscou mecanismos para compensar a adaptação do uruguaio ao lado esquerdo da ofensiva do Paris Saint-Germain. Na Liga dos Campeões, o principal mecanismo era com base na capacidade física de Blaise Matuidi:1Como fica claro na ilustração, Matuidi começava como interior, mas terminava como extremo-esquerdo, enquanto Cavani começava como extremo e terminava na área, muitas vezes finalizando jogadas iniciadas pelo francês no lado esquerdo. Porém, nos jogos domésticos, o principal mecanismo utilizado por Blanc era outro: Ibrahimovic como “falso 9”.2Além de liberar Cavani das funções de extremo e permitir a Edinson atuar na área rival, este mecanismo tem um propósito: fazer com que o PSG monopolize a posse de bola. Ao juntar três meio-campistas – sendo dois deles muito construtivos (normalmente Thiago Motta e Marco Verratti) – e a presença de Ibrahimovic no meio-campo, a equipe de Paris consegue o controle total dos jogos para posteriormente assediar seu rival durante longas fases de possessão. Este mecanismo ganhava ainda mais força quando Javier Pastore e sua tendência de buscar o jogo interior era quem completava o ataque pelo lado direito, sem contar a boa capacidade técnica para a saída de bola dos zagueiros (Marquinhos, Thiago Silva e David Luiz). Em compensação, a profundidade pelo lado esquerdo ficava quase que totalmente por conta do lateral (Maxwell ou Lucas Digne).

Estes mecanismos ficaram muito evidentes no primeiro jogo oficial do Paris Saint-Germain na temporada 2014-15, contra o Olympique Lyonnais, na Supercopa da França. O time de Blanc – que venceu por 2-0 – monopolizou a posse de bola (75% durante os 90 minutos) e foi muito comum ver Ibrahimovic recuar ao ponto de jogar na mesma altura do meio-campista defensivo Adrien Rabiot, praticamente entre os zagueiros. A presença do sueco gerou uma superioridade numérica (e técnica) que em nenhum momento o Lyon foi capaz de controlar.

XI inicial do PSG contra o Lyon (01/08/2015)

XI inicial do PSG contra o Lyon (01/08/2015)

O problema é que, ao que tudo indica, Ibrahimovic está de saída do PSG e tenha jogado sua última partida justamente contra o Lyon, o que já desmonta boa parte da base tática construída por Laurent Blanc. Para agravar a situação, a contratação para substituir Zlatan deve ser Ángel Di María, um extremo vertical e que não se encaixa em ataques posicionais associativos. No final das contas, o possível XI do Paris Saint-Germain para a temporada (ilustração abaixo), torna-se muito incoerente: jogadores associativos como Pastore, Verratti e Rabiot por um lado como atletas com pouca capacidade de associação e que gostam de correr como Matudi, Di María e Cavani por outro. A não ser que Blanc busque montar um time muito mais vertical pensando nos confrontos contra os principais clubes da Europa na Liga dos Campeões, mas isto implicaria em que Pastore seria preterido para dar lugar a Lucas Moura – além da presença de um meio-campista mais físico no lugar de Rabiot.

Enquanto teve energias para jogar em uma intensidade impressionante, o River Plate cortou completamente todos os mecanismos de ataque do Tigres e foi superior na partida de ida da final da Copa Libertadores da América em 2015. Isso aconteceu durante os 15 minutos iniciais, entre os minutos 25’ e 45’ do primeiro tempo e nos primeiros 25 minutos do segundo tempo. Neste período (total de uma hora de jogo), os mexicanos jamais conseguiram estabelecer seus ataques em campo rival. Consequentemente, os jogadores ofensivos sequer tiveram a oportunidade de criar desequilíbrios. Na outra meia hora restante (entre os minutos 15’ e 25’ do primeiro tempo e nos últimos 20 minutos de jogo), o Tigres se aproveitou da perda de intensidade dos argentinos para conseguir atacar com maior fluidez, mas desta vez esbarrou em dois motivos primordiais para não ter conseguido a vitória: nas grandes atuações dos jogadores do River Plate (Jonathan Maidana e Matías Kranevitter, por exemplo) e nas falhas de seus jogadores na hora da finalização das poucas oportunidades criadas (Rafael Sóbis, no primeiro tempo, e Jürgen Damm, já nos instantes finais, falharam duas chances claríssimas).

Além disso, durante os 90 minutos sempre existiu um recurso extra utilizado pelos Millonarios para cortar ainda mais o ritmo do conjunto felino: as faltas (realizou 25 durante a partida). Com tanto esforço defensivo, faltou energia para o River Plate aspirar algo ofensivamente. O único recurso utilizado pela equipe de Marcelo “Muñeco” Gallardo para ameaçar o goleiro Nahuel Guzmán foram as bolas paradas (faltas laterais e escanteios). Além disso, assim como Kranevitter, Guido Pizarro também esteve excelente nas ajudas defensivas e coberturas para evitar maiores danos causados pelos jogadores ofensivos do River. 0-0 e tudo será decido em Buenos Aires.

Por conta de todas as mudanças que Tigres e River Plate passaram desde então, utilizar os dois jogos da fase de grupos como base para a prévia da final da Copa Libertadores da América é praticamente impossível. Nos mexicanos, Juninho, José Francisco “Gringo” Torres, Jürgen Damm, Javier Aquino e André-Pierre Gignac não estiveram em tais confrontos, enquanto Javier Saviola, Lucho González, Lucas Alario e Tabaré Viúdez são as novidades no lado argentino. Além disso, na visita a Buenos Aires, o Tigres utilizou um plano de jogo conservador e defensivo (em 5-3-2), algo que está totalmente descartado para o primeiro jogo da final em Nuevo León – pode até ser uma opção para a volta na Argentina em caso de uma vitória na partida de ida.

Entretanto, algumas conclusões podem ser tiradas do 2-2 no estádio Universitario pensando nos jogos valendo o título. A primeira é que foi um massacre absoluto do Tigres durante os primeiros 85 minutos, sendo que os comandados por Ricardo “Tuca” Ferretti deveriam ter feito mais do que dois gols. Neste cenário de controle, o argentino Guido Pizarro foi uma peça chave para o domínio do Tigres, algo que voltou a repetir-se na semifinal contra o Internacional apesar de muitas mudanças no XI titular. A outra conclusão é como o Tigres desperdiçou a vantagem no marcador em poucos minutos apesar de ter sido infinitamente superior. Algo que, em menor medida, também aconteceu no jogo de volta contra o Inter: o Tigres deveria ter goleado, mas sofreu um gol nos minutos finais por acidente e acabou o jogo sofrendo já que outra anotação do clube brasileiro o eliminaria. O controle e domínio oferecido por Guido Pizarro no meio-campo (se isso acontecer, certamente os jogadores ofensivos irão desequilibrar) e não desperdiçar possíveis vantagens construídas será decisivo para o Tigres conquistar a Libertadores.

image_content_detalle_nota_14036089_20150726215225Após tantas polêmicas envolvendo a arbitragem, chega-se a conclusão de que a edição de 2015 da Copa Ouro foi um torneio onde as seleções grandes (México, Estados Unidos, Costa Rica e Honduras) demonstraram pouco nível e permitiram que os países de segundo ou terceiro escalão competissem melhor. A seguir, uma análise das principais conclusões deixadas pelo torneio conquistado pelo México (sétimo título na história):

• Campeão com pouquíssimo nível
Claramente, o México só chegou a final da Copa Ouro em 2015 por conta da ajuda da arbitragem contra Costa Rica (quartas-de-final) e Panamá (semifinal), mas vale destacar que a seleção asteca também foi prejudicada pelos árbitros nos outros jogos. O mais alarmante foi o péssimo rendimento do time de Miguel “Piojo” Herrera, especialmente contra a Guatemala, sendo que os mecanismos que funcionaram tão bem na Copa do Mundo no Brasil desapareceram, muito por conta da ausência de Rafa Márquez e do baixíssimo nível de muitos jogadores (Memo Ochoa, Paul Aguilar, Miguel Layún, Héctor Herrera, Carlos Vela e Oribe Peralta, por exemplo). Andrés Guardado (indiscutivelmente o melhor jogador do torneio) e Jonathan dos Santos foram as notícias positivas. Na final contra a Jamaica, o México realizou sua atuação mais completa na Copa Ouro 2015 e mostrou que, mesmo sem ser brilhante, pode dominar a Concacaf sem maiores problemas.

• O ótimo trabalho de Winfried Schäfer
A digna participação na Copa América no Chile fez com que a Jamaica evoluísse, algo que ficou evidente na campanha até a final da Copa Ouro 2015 (sua primeira final na história). O alemão Winfried Schäfer montou uma seleção muito organizada taticamente e com ideias claras: defesa posicional sólida e transições ofensivas. Wes Morgan, Kemar Lawrence, Rodolph Austin, Jobi McAnuff e Giles Barnes estiveram em bom nível. Porém, na final contra o México, ficou claro que será importante evoluir para sonhar com a classificação para a Copa do Mundo na Rússia.

• Evolução evidente
Desde 2011, o Panamá esteve na semifinal das três Copas Ouro e por muito pouco não se classificou para sua primeira Copa do Mundo na história. É a seleção em maior evolução dentro da Concacaf nos últimos anos. Mesmo sem nenhuma vitória nesta edição do torneio continental, demonstrou um nível muito alto, tendo jogado minutos de ótimo futebol (foi melhor que Trinidad e Tobago, México e Estados Unidos na fase final). Faltou transformar as muitas oportunidades criadas em mais gols, além de tudo o que aconteceu na semifinal contra o México. Jaime Penedo, Román Torres, Erick Davis, Armando Cooper e Alberto Quintero realizaram um torneio estupendo. O Panamá vai se tornar ainda mais competitivo com os reforços das seleções de base comandadas por Leonardo Pipino.

• Péssimo nível estadunidense
Se o rendimento do México foi ruim, o mesmo aconteceu com os Estados Unidos. Jürgen Klinsmann pareceu perdido, nunca conseguiu encontrar um XI titular de garantias e viu sua equipe ser superior apenas contra Cuba, nas quartas-de-final – um rival que não serve como base para avaliação. O único aspecto destacável no global do torneio foi o nível de Clint Dempsey. Todo o resto ficou devendo, especialmente os defensores e acompanhantes do camisa 8 no ataque. Michael Bradley, a referência do time, também deixou a desejar, tanto que os estadunidenses tiveram problemas para controlar os jogos quase sempre.

• Decepção com Paulo Wanchope
Após a fantástica Copa do Mundo 2014 realizada sob o comando de Jorge Luis Pinto, a Costa Rica acabou decepcionando na Copa Ouro deste ano. Paulo Wanchope desmontou o 5-4-1 utilizado pelo treinador colombiano e implantou um 4-2-3-1 que fez com que os costarricenses perdessem seus melhores recursos: a defesa sofreu bastante, o meio-campo não conseguiu controlar os jogos e faltou desequilíbrio ofensivo. Esteban Alvarado, Johan Venegas e David Ramírez foram as notícias positivas em uma seleção onde Joel Campbell e Bryan Ruíz deixaram muito a desejar. As ausências de Óscar Duarte, Bryan Oviedo e Yeltsin Tejeda pesaram, mas as sensações deixadas para o futuro não são empolgantes.

• Bom nível dos caribenhos
Além da finalista Jamaica, o Caribe demonstrou ótimo nível na Copa Ouro 2015: outros três países estiveram entre as oito melhores. Desconsiderando o nível ridículo de Cuba, que só superou a fase de grupos graças à incompetência da Guatemala, as seleções de Trinidad e Tobago e Haiti deixaram ótimos detalhes durante a competição. No time trinitário, destaque para o extremo-esquerdo Joevin Jones, o meio-campista ofensivo Keron Cummings e o atacante Kenwyne Jones, capazes de desequilibrar jogos neste nível. Já os haitianos apresentaram um conjunto muito bem trabalhado, com solidez e capacidade para dominar a partir do trabalho dos meio-campistas (Jean Alexandre, James Marcelin e Kevin Lafrance), sendo que no ataque os desequilíbrios ficaram por conta do extremo-direito Wilde Donald Guerrier e do atacante Duckens Nazon. O único aspecto negativo do Haiti foram os problemas de indisciplina envolvendo o meio-campista ofensivo Jeff Louis. Será importante observar a evolução destes dois times no futuro.

• Decepção com Jorge Luis Pinto
Se a Costa Rica não conseguiu competir sem o treinador colombiano, Honduras também fracassou sob o comando de Jorge Luis Pinto, um comandante polêmico e que geralmente não agrada seus jogadores. Que os hondurenhos tenham feito corpo mole para perder contra o Haiti e serem eliminados na fase de grupos é algo que não se pode descartar. Apesar disso, as sensações deixadas contra Estados Unidos e Panamá foram positivas e os hondurenhos mereciam ter vencido ambos os jogos. Andy Nájar esteve em bom nível e será o comandante do time Catracho na próxima década. Entretanto, jovens como Henry Figueroa, Mario Martínez e Anthony “Choco” Lozano não cumpriram as expectativas.

• O baixo nível de seleções tradicionais da América Central
Se o nível dos países caribenhos surpreendeu positivamente, o contrário aconteceu com algumas das seleções de maior tradição da América Central. Além de Honduras e Costa Rica terem sido eliminadas antes do que se esperava, El Salvador e Guatemala não superaram a fase de grupos. Os salvadorenhos até conseguiram deixar alguns minutos de bom futebol contra Costa Rica e Jamaica, mas os guatemaltecos (empataram com o México graças à ajuda da arbitragem e ao baixo nível dos astecas) decepcionaram ao não conseguir vencer a limitadíssima Cuba na última rodada para garantir classificação para as quartas-de-final. O Panamá foi o responsável pela única campanha digna dos centro-americanos.

image_content_detalle_nota_14035341_20150726212657Além dos recursos que já havia demonstrado durante todo o torneio (defesa posicional sólida e transições ofensivas), a Jamaica tinha um plano claro para a final da Copa Ouro 2015: evitar que o México estabelecesse seus ataques em campo contrário. Para isso, Winfried Schäfer utilizou duas vias: desconectar Jonathan dos Santos do jogo com a marcação individual do meio-campista ofensivo Simon Dawkins para evitar que o México tivesse uma opção de construção pela faixa central e cortar as linhas de passe dos zagueiros mexicanos para os alas (Paul Aguilar e Miguel Layún) graças ao trabalho dos extremos (Garath McCleary e Jobi McAnuff). Além disso, a dupla de meio-campistas defensivos jamaicanos (Rodolph Austin e Je-Vaughn Watson) estava atenta para não permitir recepções dos interiores mexicanos (Jesús Dueñas e Andrés Guardado).

Durante os primeiros 10 minutos, o plano de Schäfer funcionou maravilhosamente bem, obrigando o México a saltar linhas (já que não encontrava opção de saída) com jogo direto para um impreciso Oribe Peralta que não conseguiu estabelecer os ataques mexicanos em campo jamaicano. Foram minutos de pânico para o time de Miguel “Piojo” Herrera, com a Jamaica criando oportunidades para anotar o primeiro gol do jogo. Por sorte, a partir do minuto 10’ a seleção caribenha perdeu intensidade e começou a permitir linhas de passe para Paul Aguilar e Miguel Layún que ganhavam altura no campo e permitiam que o México estabelecesse seus ataques em campo contrário, o que fez com que a seleção asteca passasse a dominar a posse de bola e que finalmente Jesús Dueñas, Andrés Guardado e Jesús “Tecatito” Corona começassem a participar pela faixa central. O primeiro gol do México é o exemplo perfeito da importância de Aguilar/Layún: passe de Jonathan para Paul fazendo o México ganhar altura no campo e cruzamento do ala-direito para o gol de Guardado. O resultado final foi apenas consequência da boa atuação mexicana a partir do momento citado e das fragilidades defensivas da Jamaica (dois erros do zagueiro Michael Hector custaram dois gols aos Reggae Boyz, que nunca conseguiram voltar a cortar o fluxo do jogo do México).

2266270_w2Em 14 edições do Europeu sub-19, a Espanha sagrou-se campeã em sete oportunidades. Mais do que isso, os êxitos espanhóis no torneio de base foram fundamentais para a formação da seleção que viria a dominar o futebol mundial entre 2006 e 2013. Nas 10 participações da Rojita no Europeu sub-19 antes de 2015, algumas das revelações são jogadores como Fernando Torres, Andrés Iniesta, Sergio Ramos, Juanfran Torres, Roberto Soldado, David Silva, Raúl Albiol, Gerard Piqué, Mario Suárez, Juan Mata, César Azpilicueta, Javi Martínez, Mikel San José, Dani Parejo, Ignacio Camacho, David De Gea, Jordi Alba, Mario Gaspar, Iago Falqué, Nacho Fernández, Thiago Alcântara, Marc Bartra, Rodrigo Moreno, Iker Muniain, Koke, Dani Carvajal, Álvaro Morata, Paco Alcácer, Juanmi Jiménez, Gerard Deulofeu, Juan Bernat, Jesé Rodríguez, Saúl Ñíguez, Óliver Torres, Denis Suárez, Héctor Bellerín, José Luis Gayà, Moi Gómez, Sandro Ramírez e Adama Traoré.

Após a ausência em 2014, neste ano a Espanha voltou a disputar o Europeu sub-19 e, como não, conquistou o título disputado na Grécia. Mais uma vez, alguns dos melhores jogadores espanhóis dos próximos anos estiveram nos gramados gregos sob o comando do treinador Luis de la Fuente: Marco Asensio possui muitas características de Isco, Dani Ceballos de Andrés Iniesta, Rodrigo Hernández de Sergio Busquets, Borja Mayoral é um atacante muito completo, Jesús Vallejo e Jorge Meré são as duas grandes apostas do futebol espanhol para a zaga nos próximos anos (especialmente o primeiro), Alfonso Pedraza deixou detalhes de qualidade (um extremo muito profundo) e Borja San Emeterio foi uma garantia na lateral-direita. Apesar de não possuir uma ideia clara de jogo (tinha capacidade para dominar com a posse da bola, mas muitas vezes preferiu recuar as linhas para transitar, tanto que alguns analistas espanhóis definiram esta seleção como “um time das individualidades e não de um estilo”), a Espanha foi a indiscutível campeã e deixa uma imagem muito positiva para os próximos anos.

O mais curioso é que a base da Espanha campeã europeia sub-19 em 2015 atua na segunda divisão nacional e possui pouquíssima experiência na elite: dos habituais titulares, seis se destacaram a serviço de clubes do segundo escalão na última temporada (Borja San Emeterio, Jesús Vallejo, Jorge Meré, Mikel Merino, Dani Ceballos e Marco Asensio), sendo que quem atua em times da primeira divisão não disputou muitos minutos na elite até o momento. Além disso, o trio formado por Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid contou com apenas um jogador espanhol no Europeu sub-19 (Borja Mayoral)*.

*: Dados com base na última temporada (2014-15). Por exemplo: Marco Asensio atualmente pertence ao Real Madrid, mas atuou na última temporada com o Mallorca.