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O desenho tático das equipes no clássico

O desenho tático das equipes no clássico

É tradicional se afirmar que um jogo de futebol, além de dois tempos de 45 minutos, é dividido por períodos definidos pelos times em campo. Então, para analisar a vitória por 4-3 do Barcelona sobre o Real Madrid neste domingo, pela 29ª rodada do Campeonato Espanhol, dividi o jogo em seis períodos dependendo do que demonstravam as equipes em campo – não exatamente seis períodos de 15 minutos.

Minuto 0 ~ 15 – O Real Madrid começa tentando pressionar a frente para recuperar a bola com maior facilidade. Xabi Alonso adianta a sua posição a frente da zaga e acaba deixando espaços para que Lionel Messi apareça entre a linha de defesa e meio-campo do Real, obrigando Pepe e, principalmente, Sergio Ramos a saírem atrasados na busca por cortar os espaços de Leo. Essa é a área de atuação que mais agrada ao argentino e onde o mesmo mais cria perigo. Foi assim que o Barcelona conseguiu superioridade territorial no princípio de jogo e criou as melhores chances. O gol de Andrés Iniesta sai justamente de um passe de Messi após o camisa 10 blaugrana receber a bola entre Pepe/Ramos e Xabi Alonso.

Di María completou sete dribles no primeiro tempo, todos pelo lado esquerdo

Di María completou sete dribles no primeiro tempo, todos pelo lado esquerdo

Minuto 15 ~ 30 – Reage o Real Madrid, apesar de seguir sofrendo muito para tomar a bola do Barcelona. A figura de Ángel di María, por muito o melhor em campo no primeiro tempo, é o grande responsável por tal reação. Sem a ajuda defensiva de Neymar, o lado direito da defesa do Barcelona acaba ficando exposto e Daniel Alves é facilmente batido por Di María no um-contra-um pelo menos quatro vezes. Em duas destas oportunidades, Ángelito cruza para o doblete de Karim Benzema – que também perdeu outra grande chance neste período de jogo.

Leo Messi completou 19 passes no primeiro tempo jogando entre a defesa e o meio-campo do Real

Leo Messi completou 19 passes no primeiro tempo jogando entre a defesa e o meio-campo do Real

Minuto 30 ~ 45 – Com a vantagem no placar, o Real Madrid recua suas linhas e entrega a posse de bola ao Barcelona. Xabi Alonso, melhor posicionado, tira os espaços de ação de Lionel Messi e deixa o Barcelona sem alternativas já que falta profundidade pelos costados, onde Daniel Alves e Jordi Alba não acrescentam nada, enquanto Neymar erra demais e faz péssima partida. Porém, Messi volta a aparecer e, contando com a sorte, empata o clássico após confusão na área. Antes do intervalo, Karim Benzema ainda perde mais uma grande chance de gol.

Minuto 45 ~ 60 – Em um período equilibrado e com pouca claridade, aparecem Gareth Bale e Cristiano Ronaldo, que até então não haviam criado nada no ataque do Real. Primeiro, o galês arranca com a bola e oferece mais um gol a Benzema, que desperdiça mais uma chance. Pouco depois, aparece o português, para sofrer pênalti de Daniel Alves e na cobrança recolocar os merengues em vantagem.

Minuto 60 ~ 65 – O Barcelona aumenta o ritmo em busca do empate. Andrés Iniesta quase marca em chute de fora da área. Porém, o lance que iria mudar o rumo do clássico seria o pênalti de Sergio Ramos em Neymar, após passe genial de Leo Messi entrelinhas. A expulsão de Ramos e a penalidade convertida pelo argentino fazem com que as forças do Real Madrid sejam reduzidas a quase zero.

Minuto 65 ~ 90 – O que já era um domínio da posse de bola por parte do Barcelona se intensifica ainda mais. Com um jogador a menos, o Real Madrid se fecha e espera uma chance para contra-atacar com Bale ou Cristiano, algo que não aconteceria até o final, já que a atuação de ambos era bem decepcionante. Enquanto isso faltava espaço para Messi aparecer e consequentemente o Barcelona criava pouco. Um chute de fora da área de Daniel Alves que acertaria a trave foi o único perigo criado pelos visitantes. Até que, já no minuto 84’, Iniesta cavou um pênalti de Xabi Alonso e Messi acabou por dar a vitória ao Barça.

Atual campeão mexicano, León manteve "Gullit" Peña, mas perdeu Burbano

Atual campeão mexicano, León manteve “Gullit” Peña, mas perdeu Burbano

Nesta quarta-feira, o Flamengo estreia na Libertadores 2014. O primeiro compromisso do rubro-negro carioca é contra os mexicanos do Club León. Um adversário difícil, especialmente jogando no Nou Camp. Porém, poderia ser bem pior para o Flamengo.

Em 2014, o León não passa nem perto de repetir as boas atuações que o levaram à conquista do torneio Apertura da Liga MX, no segundo semestre de 2013. Existe, claramente, uma queda de rendimento coletiva e individual nos esmeraldas, que não vencem há quatro rodadas no torneio Clausura (três derrotas e um empate). Nem jogar em casa tem significado sucesso para o León neste ano – o clube perdeu para Pachuca e Pumas nas últimas duas vezes que jogou no Nou Camp.

Desenho tático do León - Destaque para a mobilidade de Montes e Peña no meio-campo

Desenho tático do León – Destaque para a mobilidade de Montes e Peña no meio-campo

Comparando o elenco atual com o roster campeão no semestre passado, apenas um jogador importante não está mais com os panzas verdes: o colombiano Hernán Darío Burbano, que era a principal opção ofensiva para acelerar o jogo. Para o lugar dele chegou Elías Hernández, ex-Tigres e com passagens pela seleção mexicana. Elías joga na mesma posição (extremo-esquerdo) e com o mesmo estilo de jogo de Burbano, mas o nível é inferior e a capacidade de desequilíbrios pelo lado esquerdo é menor.

O restante do time é basicamente o mesmo. Na defesa, Jonny Magallón joga na lateral-direita e pouco vai ao ataque, até por ser originalmente um zagueiro. Na outra lateral, Edwin Hernández é o oposto: muito ofensivo e constantemente “doblando” com Elías Hernández. O experiente Rafa Márquez e Ignacio González formam a dupla de zaga, com destaque para a falta de velocidade do ex-jogador do Barcelona, que já está com 34 anos.

No meio-campo, o ponto forte do time, estão os maiores destaques do León: Luis Montes e Carlos “Gullit” Peña, que são completados por José Juan “Gallo” Vázquez e o já citado Elías Hernández. “Chapo” Montes, apesar de taticamente ser o extremo-direito, se move para o centro enquanto o time tem a posse de bola, onde oferece qualidade técnica e ótimo passe ao setor, ajudando inclusive no domínio territorial. “Gallo” Vázquez é o meio-campista mais recuado e responsável pelo primeiro passe, onde se destaca com quase 90% de acerto nos passes em jogos da Liga MX. Mas o principal jogador do León é “Gullit” Peña, que provavelmente será titular com o México na Copa do Mundo. Forte fisicamente e bom tecnicamente, “Gullit” se destaca “rompendo linhas” com suas arrancadas com e sem a bola do meio-campo até a área rival. O baixo rendimento do León em 2014 é muito por conta da queda de nível de Peña, que tem jogado mal após a segunda rodada do torneio Clausura e esteve impreciso até no amistoso da seleção do México contra a Coréia do Sul, no final de janeiro.

No ataque, fica a duvida em quem será o parceiro do argentino Mauro Boselli, onde os uruguaios Matías Britos (mais móvel) e Nelson Sebastián Maz (mais físico) costumam se revezar.

Inicialmente, a maior preocupação do Flamengo deve ser como parar “Gullit” Peña e Luis Montes. Em teoria, os avanços de Peña o fariam “bater de frente” com Muralha, algo que pode ser complicado devido ao nível do jovem flamenguista. Já com Montes a situação é menos complexa: como o camisa 10 joga da direita para o centro, Amaral pode oferecer uma boa proteção nas áreas de atuação de “Chapo”.

Importante: Rafa Márquez não tem atuado nas últimas semanas. Em seu lugar tem jogado o colombiano Eisler Loboa, um extremo que virou lateral-direito e que acrescenta bem mais subidas ao ataque. Com Loboa na lateral, quem forma dupla de zaga com “Nacho” González é Magallón.

Após o fracasso na Euro 2012, tempos de mudanças chegaram para a seleção da Holanda. Era hora de trocar o conservadorismo – e os problemas internos – de Bert van Marwijk por algo mais arriscado e que realmente fizesse a Orange demonstrar aquele seu tradicional futebol ofensivo de outros tempos.

Acabou que o encarregado por assumir o cargo de treinador foi Louis van Gaal, muito questionado aqui no Brasil e que acabou sendo considerado um retrocesso para a seleção holandesa, já que o mesmo era o comandante do selecionado laranja que fracassou na tentativa de se classificar para a Copa do Mundo de 2002.

Porém, devo ser o único neste país a ver com bons olhos as ideias do novo treinador da Holanda. Van Gaal vai contra o “modismo” do futebol atual, criado pelo Barcelona e pela seleção da Espanha – futebol de muito toque de bola, laterais ultra ofensivos, “falsos extremos”, “falso número nove”, trocas de posição o tempo todo.

Nesse início de trabalho, Van Gaal tem transformado o conservador 4-2-3-1 de Van Marwijk em um 4-3-3 ofensivo e com princípios que me agradam: um lateral atacando por vez; um pivot defensivo que não recua entre os zagueiros (Nigel de Jong ou Jordy Clasie); um meio-campista central jogando como box-to-box (Kevin Strootman); um meio-campista central mais ofensivo e criativo (Wesley Sneijder ou Rafael van der Vaart); dois extremos bem abertos e sendo frequentemente acionados; um atacante central mais fixo.

Outra coisa que me agrada no trabalho de Van Gaal é a renovação, a oportunidade para jovens jogadores, algo bastante necessário após a Euro 2012. Nesse curto período, Van Gaal já tornou quase que titulares absolutos a Bruno Martins Indi (zagueiro ou lateral-esquerdo) e Kevin Strootman (meio-campista central); Ricardo van Rhijn e Daryl Janmaat tem se revezado na lateral-direita, finalmente tirando o sofrível Gregory van der Wiel da titularidade absoluta; Jetro Willems seguiu sendo chamado e foi efetivado na lateral-esquerda; Luciano Narsingh e Jermain Lens receberam oportunidades e mostraram grande nível pelos lados do ataque; além de Jordy Clasie, Leroy Fer, Ruben Schaken e outros prospectos que tem ganhado espaço e convocações, o que era praticamente inimaginável com Bert van Marwijk.

Logicamente, ainda é cedo para análises mais profundas quanto a rendimento, já que a Holanda de Van Gaal venceu bem os adversários mais limitados que enfrentou, mas teve dificuldades contra rivais de melhor nível (derrota para a Bélgica e vitória contra a Turquia). No entanto, de maneira geral, as ideias do novo treinador são bem satisfatórias, assim como o rendimento da equipe como um todo e dos jovens que tem ganhado espaço.

Espanha 4-0 Itália – Superioridade e dinastia dos espanhóis

Com uma grande atuação, a Espanha venceu a Itália e garantiu o título da Euro 2012, superando os problemas de baixo rendimento ofensivo durante a campanha na competição disputa na Polônia e Ucrânia.

Nos primeiros 15 minutos, a Espanha jogou o que ainda não havia jogado em toda a Euro 2012, envolvendo a Itália com seu toque de bola e dificultando o jogo italiano ao pressionar Andrea Pirlo – com e sem a bola. Assim, o gol espanhol saiu aos 13 minutos, com David Silva, após ótimos passes de Andrés Iniesta e Cesc Fàbregas.

Após sofrer o gol, a Itália passou a dominar a posse de bola, mas tinha dificuldades na hora de atacar, muito por conta da pressão de Xavi Hernández (grande atuação do número oito) sobre Andrea Pirlo, o que obrigava os italianos a buscar a saída pelos lados do campo, onde não tinha grande profundidade. E foi justamente quando a Itália tinha maior domínio que a Espanha chegou ao segundo gol, com Jordi Alba, após grande passe de Xavi em saída rápida para o ataque.

O segundo tempo começou com a Espanha dominando, mostrando toda a qualidade de seu toque de bola, dando a entender que poderia chegar ao terceiro gol a qualquer momento. Porém, o que acabou fazendo a diferença foi à lesão de Thiago Motta, quando a Itália já havia feito as suas três substituições e ainda acreditava na busca pelo empate. Jogar com 10 jogadores contra a Espanha e precisando de dois gols para igualar a partida se mostrou muito difícil para a Itália, com os espanhóis chegando a mais dois gols (com Fernando Torres e Juan Mata) para confirmar a conquista de sua terceira UEFA Euro, a segunda consecutiva.

Vitória justa para a Espanha, que foi superior durante a partida. A ótima atuação na final acaba sendo bom para os espanhóis, que não jogaram bem durante a campanha, mas acabaram fazendo por merecer o título. Para a Itália, o vice-campeonato está acima do imaginado antes do início da Euro. O título era possível, mas ter chegado a final já foi uma grande vitória para os italianos.

Espanha-Itália – Espanhóis pelo domínio mundial; Italianos em busca da surpresa

Espanha-Itália tem tudo para protagonizar uma grande final na Euro 2012. Um dos indícios para isso foi o encontro entre as seleções na primeira fase, quando o jogo terminou empatado em 1-1, com muita emoção, grande nível técnico e ritmo muito acelerado.

Nesse momento, vejo a Itália um nível acima da Espanha para a final. Enquanto que os espanhóis ainda têm duvidas para seu time titular, não tem conseguido demonstrar grande nível futebolístico e tendo a efetividade de seu toque de bola questionável, os italianos tem seu plano de jogo definido e sabem o que fazer, se tornando ainda mais fortes depois do ganho de confiança de Mario Balotelli após a semifinal contra a Alemanha.

Falando em possíveis acontecimentos durante os 90 minutos de bola rolando, a Itália, assim como fez Portugal na semifinal contra a Espanha, tem tudo para conseguir equilibrar o jogo em termos de posse de bola, especialmente pela capacidade de marcação e passe dos quatro meio-campistas da Azzurra (Claudio Marchisio, Andrea Pirlo, Daniele de Rossi e Riccardo Montolivo), que também conseguiram criar diversas adversidades ao excelente meio-campo alemão na semifinal.

No final das contas, posso estar enganado, mas acho que a Espanha precisa mudanças em seu time titular para a final. Jogar com um atacante de verdade (Fernando Torres ou Álvaro Negredo) pode até acrescentar profundidade ofensiva, mas a presença de Cesc Fàbregas como “falso nove” para ajudar no toque de bola espanhol é fundamental, ainda mais contra o excelente meio-campo italiano. Além disso, acho muito improvável que Vicente del Bosque mude algo, mas está claro como Jesús Navas e Pedro Rodríguez são opções para melhorar a velocidade ofensiva da Espanha no segundo tempo – é bom destacar como a maioria dos melhores momentos da Espanha na Euro 2012 aconteceram com Navas e/ou Pedro em campo.

Outro ponto a se destacar é à força da linha defensiva de ambas as seleções, com a Itália sofrendo apenas três gols na Euro 2012, enquanto que a Espanha sofreu apenas um gol em cinco jogos – gol sofrido justamente para a Itália, na primeira rodada. Se a Itália tem a seu favor um melhor rendimento no meio-campo e ataque durante a competição, a força defensiva demonstrada pela Espanha pode fazer muita diferença na final. Ao contrário dos times de 2008 e 2010, a atual seleção espanhola é muito segura defensivamente e dificilmente sofre perigo. A semifinal contra Portugal mostra bem isso, com a Espanha não fazendo uma boa partida ofensiva, mas também jamais sendo muito ameaçada pelos portugueses.

Alemanha 1-2 Itália – Balotelli decisivo; grande atuação italiana

Com uma grande atuação coletiva e o poder de decisão de Mario Balotelli, a Itália venceu a Alemanha na segunda semifinal da Euro 2012 e está na final da competição, que será contra a Espanha.

Em um primeiro que, no geral, foi equilibrado, a maior força do meio-campo italiano e as falhas defensivas alemã acabaram pesando. De início, Joachim Löw mudou a Alemanha para um melhor encaixe contra a Itália, mas isso não deu resultado, pelo contrário, apesar de algumas boas chegadas dos germânicos, que acabaram parando em defesas de Gianluigi Buffon ou na falta se sorte.

Por outro lado, o meio-campo italiano marcava com muita força, recuperava a bola e conseguia criar chances de gol, que acabaram resultando em dois tentos anotados por Mario Balotelli, ambos em falhas da defesa alemã, que também cometeu erros em outros lances durante a primeira etapa.

Apesar de a Alemanha ter buscado o ataque durante todo o segundo tempo, a Itália estava muito segura na partida e não era tão ameaçada, se defendendo bem, não permitindo grandes espaços aos alemães e ainda levando muito perigo na hora de contra-atacar, tendo várias chances para fazer o terceiro gol e liquidar a partida.

Após várias chances perdidas de maneira incrível, a Itália ainda levou sufoco no final do jogo, com a Alemanha encontrando um pênalti após vários cruzamentos na área (todos sem sucesso), com Mesut Özil anotando. Porém, só isso não foi suficiente para os alemães buscarem o empate.

A classificação da Itália acabou sendo muito merecida, pelo bom rendimento em toda a Euro 2012 e pela grande partida contra a Alemanha, que teve um jogo de semifinal muito ruim, especialmente por conta dos erros de Joachim Löw, tanto na escalação inicial como nas mudanças no decorrer do jogo.

Hoje, Balotelli foi o grande destaque individual em campo, mas novamente Andrea Pirlo esteve excelente – grande atuação, com a colaboração da pouca pressão do meio-campo alemão. Além disso, outros italianos estiveram muito bem, como Buffon, Andrea Barzagli e Daniele de Rossi.

Portugal 0 (2)-0 (4) Espanha – Equilíbrio no tempo normal; superioridade espanhola na prorrogação e classificação nos pênaltis

Após 120 minutos de um jogo de grande equilíbrio, igualdade e poucas chances de gol, a Espanha precisou da disputa de pênaltis para chegar a sua segunda final consecutiva de Euro.

Em um primeiro tempo muito igual, Portugal conseguiu equilibrar a partida e criar diversas adversidades a Espanha, que por muitas vezes precisou sair jogando com chutões para o ataque, em busca de Álvaro Negredo. Os números de posse de bola mostraram este equilíbrio: em toda a primeira etapa, a Espanha teve “apenas” 56% da posse, enquanto que as equipes dividiram completamente o domínio nos primeiros 20 minutos (50% para cada lado).

Esse equilíbrio se deve muito ao trio de meio-campistas portugueses, formado por João Moutinho, Miguel Veloso e Raul Meireles, que esteve sempre pressionando o toque de bola espanhol, criando assim muitas dificuldades para Sergio Busquets, Xabi Alonso e Xavi Hernández.

Em termos de chances de gol e perigo criado ao gol adversário, o primeiro tempo não teve muita claridade. A Espanha teve duas chegadas mais destacáveis, com Álvaro Arbeloa e Andrés Iniesta; enquanto isso, Portugal teve uma chegada de mais perigo, com Cristiano Ronaldo.

Por condições físicas, o segundo tempo foi em ritmo mais lento, em especial por parte do meio-campo português, que já permitia o toque de bola espanhol com mais facilidade. Entretanto, isso não mudou o panorama da partida, que seguia totalmente equilibrada, com poucas chegadas de perigo e muita briga tática por cada espaço dentro de campo.

Em um jogo tão igual e com poucos espaços, Portugal teve, nos minutos finais, uma grande chance para vencer a partida, após contra-ataque em velocidade, onde Cristiano Ronaldo acabou finalizando por cima, com a perna esquerda, decretando a ida do duelo para a prorrogação.

No tempo-extra, a Espanha foi bastante superior, com Cesc Fàbregas e Pedro Rodríguez entrando bem no jogo, além de Andrés Iniesta e Jordi Alba terem crescido de rendimento. Com isso, o lado esquerdo de ataque espanhol esteve em bom nível e poderia ter criado o gol da vitória, mas as três melhores chances geradas nos 30 minutos extras acabaram desperdiçadas, com o jogo se encaminhando para os pênaltis, que acabou dando a vitória a Espanha.

Falar em merecimento é difícil, mas pelo o que fez durante a prorrogação, a vitória da Espanha nos pênaltis acaba fazendo justiça. Porém, é bom destacar o baixo nível que os espanhóis seguem demonstrando. Pelo lado de Portugal, a equipe está eliminada, porém sai da Euro 2012 por cima, com uma grande campanha, que por muito pouco não acabou chegando até a final.

Chegou a hora das disputas de semifinais da Euro 2012, que terão dois grandes jogos, de grande rivalidade e com ótimas perspectivas. Confira a prévia de ambos os encontros.

27 de julho – Portugal vs. Espanha

No confronto ibérico, Portugal-Espanha se enfrentam em um jogo onde as maneiras de atuar de ambas as seleções se encaixam. Se a Espanha está acostumada a ter a posse de bola, gosta de trocar muitos passes e fará justamente isso na semifinal, Portugal gosta e sabe jogar sem ter o domínio da bola, algo que já realizou durante a Euro 2012, inclusive.

Contra a Alemanha, na primeira rodada, Portugal teve pouco a posse de bola, porém realizou um ótimo trabalho de marcação no meio-campo – João Moutinho, Miguel Veloso e Raul Meireles estão em ótimo nível -, permitindo poucos espaços aos alemães. Naquele jogo, porém, os lusos pouco assustaram o gol adversário, até porque Cristiano Ronaldo ainda não tinha engrenado na competição. Contra a Espanha, na semifinal, os portugueses certamente repetiram o que fizeram contra a Alemanha, marcando com grande intensidade no meio-campo e apostando na qualidade de Nani e Cristiano Ronaldo para criar perigo ao gol adversário.

Falando um pouco do lado espanhol, a situação dos comandados de Vicente del Bosque não é das melhores, em especial pelas críticas em relação ao jogo sonolento contra a França, onde realmente a Furia Roja não esteve bem. Por mais que domine a posse de bola, contra Portugal, a Espanha precisará mostrar mais profundidade ofensiva e arriscar mais, já que desta vez o adversário certamente apresentará mais ofensivamente, principalmente pela presença de Cristiano Ronaldo. Começar o jogo com Jesús Navas ou Pedro Rodríguez por um dos lados do meio-campo e Fernando Torres no ataque poderia ser bem interessante por parte dos espanhóis, mas isso parece improvável.

No geral, vejo esta semifinal muito indefinida. Por mais que a Espanha tenha maior reputação e qualidade, Portugal tem um plano de jogo e um jogador (Ronaldo) que equilibram as situações, especialmente devido ao baixo nível demonstrado pelos espanhóis na Euro 2012.

28 de junho – Alemanha-Itália

Por mais que a Itália sempre esteja eliminando a Alemanha em grandes competições e por melhor que tenha sido o desempenho dos italianos nas quartas-de-final, os alemães chegam com favoritismo a esta semifinal.

Caso Joachim Löw faça as escolhas certas, a Alemanha entrará em campo com uma equipe superior tecnicamente, mas para isto o treinador germânico terá que começar o jogo com Marco Reus e Mario Gómez entre os 11 titulares, o que acrescentaria desequilíbrio e criatividade com a presença de Reus, além de Gómez estar muito acima de Miroslav Klose em todos os aspectos.

Assim como contra a Inglaterra, quando falei que Andrea Pirlo faria um duelo tático interessante com Wayne Rooney, novamente o meio-campista italiano proporcionará o melhor duelo tático em campo, desta vez com Mesut Özil. Se Rooney não esteve muito atento na marcação e permitiu demasiados espaços para Pirlo pensar e desequilibrar, certamente o mesmo não acontecerá na presença de Özil, por mais que sejam questionáveis as qualidades físicas e de marcação do jogador alemão. Do outro ponto de vista, Pirlo também terá que reduzir os espaços de Özil, algo que o português Miguel Veloso fez muito bem, por exemplo. Caso tenha liberdade, assim como teve contra a Grécia, Mesut pode causar grandes problemas para a linha defensiva italiana, que provavelmente não terá Giorgio Chiellini, seu melhor jogador.

Além do duelo entre Pirlo-Özil, o meio-campo italiano pode ser o principal caminho para a vitória da Azzurra, em especial se a superioridade numérica existir, assim como aconteceu contra a Inglaterra. Porém, logicamente, o duelo contra os alemães Sami Khedira, Bastian Schweinsteiger e Özil será bem mais complexo do que foi contra os ingleses Steven Gerrard e Scott Parker, e até por isso a Alemanha tem o maior favoritismo para esta semifinal.

Inglaterra 0 (2)-0 (4) Itália – Italianos superiores; Decisão nos pênaltis

Mesmo sendo superior durante os 120 minutos de bola rolando, a Itália precisou das cobranças de pênalti para se garantir na semifinal, com a Inglaterra novamente sendo eliminada após esse tipo de disputa.

Em um primeiro tempo bem movimentado e interessante, a Itália, como esperado, teve mais posse de bola e chegou com mais perigo, especialmente por conta do bom trabalho de meio-campo, que ganhou em criatividade com a entrada de Riccardo Montolivo, além da boa partida de Andrea Pirlo, que por vezes teve bastante espaço e tempo para pensar e executar bons passes. Entretanto, a imprecisão na hora da finalização acabou por não colocar a Azzurra em vantagem no primeiro tempo, mantendo o 0-0.

A Inglaterra, mantendo o seu plano de jogo, não buscava ter muito a posse da bola, mas sim se defender e contra-atacar, apesar de ter equilibrado a partida em termos de domínio territorial nos primeiros 20 minutos. Os ingleses até levaram perigo em saídas rápidas para o ataque, tendo duas boas chegadas, em especial, porém a marcação não era das melhores, principalmente por conta da superioridade numérica dos italianos pela faixa central do gramado.

O início de segundo tempo foi bom para a Itália, que dominou as ações e criou mais algumas boas chances para marcar, mas desperdiçando todas, perdoando em vários lances. Depois desse bom começo, a segundo etapa da partida ficou mais morna, sem tanto perigo criado por ambas às partes, com a Itália não encontrando mais tantos espaços na defesa adversaria, enquanto que a Inglaterra já não mostrava força ofensiva suficiente para assustar. Os minutos finais do tempo normal ainda reservaram alguma emoção, mas nada suficiente para tirar o 0-0 do marcador, com o jogo indo para o tempo-extra.

Em uma prorrogação onde, acima de tudo, a Inglaterra buscou se defender e a Itália atacou sem muita profundidade ou precisão, parecia improvável que alguém chegasse ao gol, apesar de os italianos terem tido muito mais a bola e finalizar bem mais ao gol adversário, mas, assim como em todo o jogo, não conseguindo ser precisa na conclusão.

Na decisão por pênaltis, novamente o azar da Inglaterra nesse tipo de disputa entrou em cena, com a Itália vencendo e se garantindo na semifinal, fazendo justiça ao que foi o jogo, totalmente dominado pelos azuis. Pelo lado inglês, a campanha na Euro 2012 foi boa, especialmente pela equipe ter chegado ao torneio sem pretensões, mas novamente a derrota aconteceu na disputa por pênaltis.

Espanha 2-0 França – Jogo lamentável; Xabi Alonso decisivo

Em um jogo lamentável e sofrível, a Espanha não precisou jogar muito bem para eliminar uma péssima França, garantindo a sua vaga na semifinal, para enfrentar Portugal.

Em um primeiro tempo em que dominou a posse de bola e as ações desde começo, a Espanha não foi brilhante, com certa imprecisão nos passes e sentindo falta de profundidade pelos costados, mas acabou chegando ao intervalo com a vitória parcial, jogando com tranquilidade.

Em um início de jogo onde abusou das jogadas pelo lado direito, os espanhóis não tiverem grande sucesso ofensivo, devido à falta de qualidade de Álvaro Arbeloa, que não conseguia acrescentar nada por aquele lado. Porém, na primeira vez que Jordi Alba foi acionado pelo lado esquerdo, o gol espanhol aconteceu, com Xabi Alonso finalizando o cruzamento do lateral do Valencia.

No restante da primeira etapa, a Espanha tocou a bola sem muita objetividade, enquanto que a França até tentou atacar um pouco mais, porém sem sucesso, não mostrando grande criatividade no meio-campo e atacando pouquíssimo pela direita.

Em um segundo tempo ainda mais morno em relação aos 45 minutos iniciais, a França até tinha a posse de bola, mas não mostrava criatividade ou capacidade para atacar, enquanto que a Espanha fazia um jogo tão sonolento que não conseguia nem ter a posse de bola. No final do jogo, após muitos minutos sem emoção, os espanhóis marcaram o segundo gol, novamente com Xabi Alonso, após pênalti sofrido por Pedro Rodríguez, que saiu do banco para acrescentar alguma energia ao sonolento time espanhol.

Após chegar a Euro 2012 prometendo muito, a França volta pra casa como uma decepção, apesentando um futebol lamentável durante todas as quatro partidas do torneio. Pelo lado da Espanha, o futebol não é empolgante, mas jogando exatamente nesse ritmo a equipe conseguiu o título da Copa do Mundo 2010, ou seja, não se pode duvidar dos espanhóis.