Archive for the ‘Análise tática’ Category

447661_heroaApesar de ter sido massacrado pelo Borussia Dortmund na Supercopa da Alemanha jogando com cinco jogadores na defesa, Pep Guardiola seguiu insistindo em suas novas ideias táticas para a abertura do Campeonato Alemão. Contra o Wolfsburg, o Bayern começou com Philipp Lahm, Dante e Holger Badstuber na zaga e com Arjen Robben e Juan Bernat nas alas.

Posicionamento tático durante os primeiros 15 minutos de jogo, com o Wolfsburg pressionando a saída de bola do Bayern

Posicionamento tático durante os primeiros 15 minutos de jogo, com o Wolfsburg pressionando a saída de bola do Bayern

Porém, assim como contra o Dortmund, o time de Munique encontrava muitas dificuldades para sair jogando e não conseguia ter fluidez com a posse de bola. Guardiola não mudou a formação com cinco defensores no jogo da Supercopa e foi derrotado. Contra o Wolfsburg, entretanto, o treinador espanhol viu que sua nova formação não estava tendo resultados positivos e resolveu mudar após apenas 15 minutos. Arjen Robben adiantou sua posição para se converter em extremo pela direita e Mario Götze passou a atuar mais pelo lado esquerdo. O 5-2-1-2 se transformou em 4-4-2.

Mudança tática de Guardiola adiantou a posição de Robben e moveu Götze para a esquerda

Mudança tática de Guardiola adiantou a posição de Robben e moveu Götze para a esquerda

Essa mudança fez o Bayern melhorar imediatamente, resultando em mais posse de bola, maior facilidade para sair jogando e maior desequilíbrio ofensivo. Robben, mais avançado no campo de jogo, tinha melhores condições para criar desequilíbrios pelo lado esquerdo de defesa do Wolfsburg. E foi justamente uma jogada individual do holandês que resultou no primeiro gol do Bayern, anotado por Thomas Müller – que atuou durante todo o primeiro tempo como atacante, ao lado de Robert Lewandowski, o que lhe proporcionava liberdade para se mover pelo ataque e realizar seus fantásticos movimentos de “ataque ao espaço”.

O gol de Robben logo no início do segundo tempo parecia indicar uma vitória tranquila ao Bayern, o que não aconteceu. O time de Munique não conseguiu controlar o jogo. O Wolfsburg cresceu em intensidade, achou um gol com Ivica Olic e ameaçou a vitória dos donos da casa. Apesar de não ter criado muitas oportunidades, o Wolfsburg buscou o empate até o último minuto. Junior Malanda teve uma oportunidade incrível após grande passe de Maximilian Arnold – que entrou bem no jogo. Nos 10 minutos finais, o Bayern ainda desperdiçou quatro chances de fazer o terceiro gol.

Além das variações táticas, o estilo de jogo do time de Pep Guardiola também é diferente da temporada passada. Em 2013-14, o Bayern era um time horizontal, pausado e com trocas de passes incansáveis. Para 2014-15, a ideia de Guardiola é ter uma equipe mais vertical, com mais velocidade e aceleração, mas ainda visando o domínio – algo mais parecido com o que se via com Jupp Heynckes como treinador e que se encaixa melhor no perfil de alguns jogadores do elenco, como Arjen Robben, Thomas Müller, Frank Ribéry e Robert Lewandowski.

Para fazer todas essas mudanças funcionarem em alto nível, o próprio Guardiola já afirmou que será necessário esperar que seus jogadores entendam o novo funcionamento do time, além de que o Bayern ainda está com desfalques importantes – Bastian Schweinsteiger, Thiago Alcântara e Ribéry, por exemplo.

Bu78kElIcAEUKmy.jpg largeOs confrontos entre Pep Guardiola e Jürgen Klopp são sempre sensacionais. São dois dos maiores gênios táticos do futebol nos últimos anos. Cada jogo entre Bayern e Dortmund significa inovações e respostas ao que foi apresentado pelo rival na partida anterior. O mais interessante é que são treinadores com ideias completamente diferentes.

Enquanto os times de Guardiola privilegiam a posse de bola, o jogo lento e horizontal, o Dortmund de Klopp joga com muita intensidade, pressão na saída de bola rival e verticalidade. Isso proporciona diversas variações nos enfrentamentos entre os treinadores.

Na final da Copa da Alemanha da temporada passada, Guardiola fez com que o Bayern dominasse completamente o Dortmund ao jogar com cinco defensores (5-2-2-1). Superioridade na saída de bola, segurança defensiva e controle territorial foram as principais virtudes táticas do Bayern na final em Berlim.

Posicionamento tático das equipes no primeiro tempo

Posicionamento tático das equipes no primeiro tempo

Na abertura da temporada 2014-15 do futebol na Alemanha, novamente um confronto entre Guardiola e Klopp, desta vez pela Supercopa. O treinador espanhol novamente apostou pelo 5-2-2-1, até porque havia preparado o time durante a pré-temporada desta maneira após o sucesso da defesa com cinco jogadores naquela vitória por 2-0 sobre o Dortmund. Entretanto, Klopp conseguiu encontrar uma resposta para anular completamente o jogo do seu adversário.

O grande fator para o domínio do Dortmund foi a intensidade que o time conseguiu ter na hora de pressionar a saída de bola do Bayern. Klopp organizou sua equipe no 4-3-1-2 e os encaixes de marcação funcionaram maravilhosamente bem. O time de Munique não se sentiu cômodo no início dos ataques em nenhum momento do jogo. O melhor exemplo está no primeiro gol do Dortmund, anotado por Henrikh Mkhitaryan, após pressão na saída de bola do Bayern que obrigou Manuel Neuer a chutar a bola para frente.

Dortmund foi intenso e conseguiu encaixar perfeitamente as marcações na saída de bola do Bayern

Dortmund foi intenso e conseguiu encaixar perfeitamente as marcações na saída de bola do Bayern

Guardiola ainda tentou reagir reorganizando o Bayern no 5-3-1-1 com as entradas de Philipp Lahm e Mario Götze, mas sem resultados positivos. Por mais que Robert Lewandowski tenha tido uma boa oportunidade para empatar o jogo logo no início do segundo tempo, o Dortmund foi muito superior durante os 90 minutos. Poderia inclusive ter vencido por uma vantagem superior ao 2-0.

1407876806_extras_noticia_foton_7_1James Rodríguez e Toni Kroos vestiram pela primeira a camisa do Real Madrid em um jogo oficial. Entretanto, os novos galácticos não mudaram a forma de o time jogar. Na vitória por 2-0 sobre o Sevilla, na Supercopa da Europa, o time da capital espanhola seguiu como na temporada passada.

O Real começou o jogo no 4-4-2: James como Di María e Kroos como Xabi Alonso

O Real começou o jogo no 4-4-2: James como Di María e Kroos como Xabi Alonso

Taticamente, as variações durante a partida foram as mesmas de 2013-14. As características táticas de James e Kroos foram idênticas as de Ángel Di María e Xabi Alonso, respectivamente. O que mudou foram as características técnicas dos jogadores, como já era esperado, pois são atletas diferentes. James e Kroos reforçam ainda mais a ideia de Carlo Ancelotti estar buscando montar um time capaz de dominar o jogo territorialmente contra qualquer adversário.

James acrescenta mais pausa e capacidade técnica na posição onde Di María joga com mais intensidade e profundidade. O colombiano foi discreto em sua estreia como nova atração do Real Madrid. Errou bastante e não esteve rápido nos raciocínios, algo natural para quem não havia jogado na pré-temporada e acabou de voltar de férias. Entretanto, no primeiro tempo, James deixou sua marca de qualidade com um cruzamento espetacular para Gareth Bale.

Já Kroos acrescentou sua fantástica qualidade técnica para fazer o Real dominar o jogo territorialmente. Fez sua primeira partida como jogador do Real na posição de meio-campista mais defensivo, que deverá ser o lugar para o alemão no Santiago Bernabéu, onde irá substituir Xabi Alonso em curto, médio e longo prazo. Kroos ainda não tem a capacidade defensiva de Alonso, mas acrescenta bastante na hora de dar ritmo e fluidez ao time.

Nos minutos finais do primeiro tempo, o Real passou a jogar no 4-3-3

Nos minutos finais do primeiro tempo, o Real passou a jogar no 4-3-3

Apesar de James ser um jogador fantástico, estar muito valorizado e ser um “queridinho” do futebol atual, o grande reforço do Real Madrid neste verão está destinado a ser Kroos. Pelo valor, pelo impacto no nível da equipe e pela sua influência que teve no futebol mundial nos últimos anos.

Foi um primeiro jogo discreto na temporada oficial do Real Madrid. O time está claramente sem ritmo competitivo. O Sevilla apresentou pouquíssima resistência – apenas Denis Suárez esteve em destaque. Mas o Real começa a temporada deixando ótimas esperanças para os próximos meses, até porque o atual campeão continental reforçou ainda mais seu elenco.

Cristiano Ronaldo manda: A temporada 2013-14 do Real Madrid teve dois títulos. Na final da Copa do Rei e da Liga dos Campeões, o autor do gol da conquista foi Gareth Bale. Neste período, Cristiano Ronaldo foi ofuscado pela mais cara contratação da história do futebol. Entretanto, logo no primeiro jogo da nova temporada, CR mostrou quem manda no Bernabéu, com dois gols. Enquanto as atenções estavam voltadas para as estreias de James e Kroos, ambos os gols do Real saíram em jogadas do “trio BBC”: Bale para Cristiano e Karim Benzema para Cristiano.

Sobre Sami Khedira e Di María: Neste momento, vejo o alemão como descartável do elenco de Carlo Ancelotti. No estilo de jogo de mais posse de bola, Khedira não tem tanto protagonismo e a sua posição está bem coberta no elenco. Porém, seria um erro “trocar” Di María por James. É necessário manter Di María para os jogos mais exigentes, onde a intensidade do argentino sempre se destaca – vale lembrar a atuação absurda de Ángel na final da Liga dos Campeões da última temporada. James possui mais qualidade técnica e será importante contra adversários mais fechados, mas parece improvável que o colombiano tenha a intensidade necessária para ser o terceiro jogador mais trabalhador do meio-campo do Real em jogos de grande exigência, algo que Di María já se mostrou totalmente capaz.

Bt5EqnSIMAEY5FiOportunidades de gol na final: Portugal 4 vs. 17 Alemanha.

Essa estatística mostra bem como os alemães foram superiores na decisão da Euro sub-19, assim como haviam sido na semifinal, contra a Áustria. O 0-1 foi pouco para o domínio que a Alemanha exerceu durante os 90 minutos contra Portugal.

Os alemães dominaram a posse de bola e tiveram o controle da partida durante todo o tempo. As únicas oportunidades claras para Portugal marcar foram em um contra-ataque, onde Marcos Lopes finalizou em duas oportunidades, mas parou em Joshua Kimmich e em Oliver Schnitzler. Mesmo tendo mais espaços para atacar do que teve contra Áustria e Sérvia, a superioridade alemã em todos os quesitos não deixou Portugal se sentir cômodo em campo.

Além da grande atuação ofensiva, onde estiveram em destaque Joshua Kimmich, Levin Öztunali, Hany Mukhtar e Marc Stendera, a Alemanha também esteve fantástica defensivamente. Niklas Stark e Marc-Oliver Kempf, a dupla de zaga, foram monstruosos – Kimmich também ajudava demais sem a bola.

A parte tática da final

Preocupada com a ameaça que representavam Marc Stendera e Levin Öztunali, os portugueses mudaram seu desenho tático. A seleção de Hélio Souza havia jogando todos os minutos da Euro sub-19 no 4-1-4-1, porém entrou em campo contra a Alemanha no 4-2-3-1.

Tomás Podstawski vigiava Stendera, Raphael Guzzo evitava que Öztunali se projetasse com liberdade e Marcos Lopes não deixava Joshua Kimmich ter liberdade para organizar os ataques dos alemães. Essa ideia até deu relativamente certo. Öztunali e Kimmich não conseguiam ter tanto influência no jogo ofensivo da Alemanha, apesar de que Stendera se movimentava e encontrava espaços.

Quando Öztunali finalmente apareceu com liberdade no campo de ataque, o meio-campista do Leverkusen encontrou Stendera aberto pela direita. O resultado foi o gol de Hany Mukhtar. Mais uma vez, Levin e Marc criavam um gol da Alemanha – na semifinal, contra a Áustria, a dupla participou dos quatro gols germânicos.

No segundo tempo, precisando buscar o empate, Portugal se preocupou menos defensivamente. Kimmich, Öztunali e Julian Brandt aparecem mais e chegou a ser assustador como a Alemanha não fez mais gols.Alemanha vs. Portugal

Guardiola-2-Getty-Images-600Enquanto os treinadores brasileiros demonstram toda a sua ignorância ao falarem que não viram nada de novo na Copa do Mundo, o maior conhecedor tático do futebol no século XXI, Pep Guardiola, parece ter tirado conclusões positivas do que viu no mundial realizado em terras brasileiras.

Segundo a imprensa da Alemanha, o treinador do Bayern irá começar a temporada montando seu time com cinco jogadores na defesa – três zagueiros e dois alas. Por mais que o time de Guardiola irá ter muito mais variações e mutações táticas, o técnico espanhol irá utilizar cinco defensores após este esquema ter tido muito sucesso na Copa do Mundo.

Jogos em que uma seleção (em negrito) utilizou defesa com cinco jogadores durante os 90 minutos na Copa do Mundo 2014:
México 1-0 Camarões
• Espanha 1-5 Holanda
• Uruguai 1-3 Costa Rica
• Brasil 0-0 México
• Espanha 0-2 Chile
• Itália 0-1 Costa Rica
Holanda 2-0 Chile
Costa Rica 0-0 Inglaterra
• Brasil 1-1 Chile
• Holanda 2-1 México
Holanda 0-0 Costa Rica
Holanda 0-0 Argentina
• Brasil 0-3 Holanda

Retrospecto: sete vitórias, cinco empates e uma derrota.

O que Guardiola procura ao jogar com cinco defensores?
• O treinador não irá mudar as suas ideias. Seu jogo seguirá sendo de domínio de posse de bola e trocas intermináveis de passes curtos. O que o espanhol procura é aperfeiçoar cada vez mais seu time.
• Um dos grandes problemas recentes do plano de jogo de Guardiola é a fragilidade defensiva. Com cinco defensores, Pep busca a segurança defensiva oferecida pelos três zagueiros quando o time adiantar as linhas.
• Superioridade na saída de bola, já que serão, sempre, pelo menos seis jogadores para superar a primeira linha de pressão adversária – três zagueiros, dois alas e um meio-campista.
• Liberdade ofensiva para os alas, que seriam os responsáveis por acrescentar profundidade pelos lados, sem comprometer o time defensivamente.
• Aproveitar a inteligência de David Alaba como zagueiro que tem papel importante na saída de bola, ao mesmo tempo em que o austríaco é muito veloz e conseguiria defender com facilidade os contra-ataques do adversário – o Bayern sofre demais quando tem Dante, um zagueiro lento, jogando tão perto do meio-campo.
Detalhe: a contratação de Juan Bernat se encaixa perfeitamente nos dois últimos tópicos.

Bayern 2014-15Segundo a revista Sport Bild, este seria o XI preferido de Guardiola para iniciar a temporada do Bayern. Um time muito parecido com o que entrou em campo na final da Copa da Alemanha da temporada passada, contra o Borussia Dortmund, e teve um desempenho empolgante, especialmente na defesa. O desenho tático é o mesmo 5-2-2-1 do jogo no Estádio Olímpico de Berlim.

A Copa do Mundo começa a entrar em sua fase decisiva. Já foram disputados 32 jogos de um total de 64. Antes do início do mata-mata, falta definir os classificados para as oitavas-de-final. Nesta segunda-feira, serão decididos os grupos A e B com duas finais em destaque: Croácia-México e Holanda-Chile.

Em Recife, uma final por uma vaga nas oitavas

2375140_big-lndO Brasil não irá perder para Camarões. Logo, Croácia e México se enfrentam sabendo que apenas uma das seleções terminará o jogo em Recife classificada. O clima é de confiança em ambas as seleções, especialmente na croata, onde Luka Modric deu declarações bem entusiasmadas no dia prévio ao jogo.

Alguns aspectos importantes em relação ao jogo
• Nos dois jogos até aqui, foi mais convincente o México, em especial, por três fatores: foi muito prejudicado pela arbitragem contra Camarões, fez uma atuação bastante destacável contra o Brasil e ainda não sofreu gols na Copa do Mundo.
• A vitória por 4-0 sobre Camarões não foi exatamente uma grande atuação da Croácia. Os camaroneses jogaram boa parte da partida com um jogador a menos e não mostraram nenhuma organização defensiva. A defesa de Camarões foi um convite para a goleada, que poderia ter tido muito mais gols, apesar da atuação apenas boa dos croatas.
• Quem vencer se classifica, mas o empate vale para o México. Isso não significa que a seleção de Miguel “Piojo” Herrera jogará pensando na igualdade, até porque a mentalidade do treinador está longe de ser esta.
• “Piojo” Herrera já confirmou seu XI titular: repetirá o mesmo time que começou jogando nas duas primeiras rodadas. E não há motivos para mudar, até porque as sensações deixadas foram ótimas e o time se mostrou capaz de competir até contra o Brasil.
• Na Croácia, Mario Mandzukic e Danijel Pranjic foram titulares contra Camarões após perderem a estreia por suspensão e lesão, respectivamente. Ambos seguirão no time que começa jogando. A única dúvida é quem jogará atrás de Mandzukic: Mateo Kovacic foi titular contra o Brasil e não esteve bem, enquanto Sammir foi titular no segundo jogo e deixou alguns bons detalhes – contra um rival muito menos exigente.
• A Croácia precisará ter a iniciativa, pois necessita ganhar. Entretanto, acho difícil imaginar que os croatas monopolizem a posse de bola. Contra o Brasil, o México quis ter a bola em seus pés o máximo de tempo possível, o que não deve ser diferente amanhã, até porque os mexicanos têm condições para competir pela posse de bola.
• Pode ser fator: Giovani dos Santos com espaços entre linhas, se aproveitando de que Luka Modric e Ivan Rakitic não são meio-campistas que guardam posição. Foi algo que Neymar aproveitou na abertura do mundial contra os croatas e algo que Giovani ainda não conseguiu por conta dos adversários que enfrentou. O México espera e precisa do melhor Giovani dos Santos contra a Croácia.

Escalações prováveis

Escalações prováveis

Holanda e Chile disputam a primeira colocação do grupo B

2376154_big-lndAntes do início da Copa do Mundo, poucos imaginariam que holandeses e chilenos chegariam à última rodada disputando a primeira colocação do grupo, ainda mais com a Espanha já estando eliminada. A aposta de muitos era de que esse jogo acabaria valendo uma vaga no mata-mata.

Alguns aspectos importantes em relação ao jogo
• Ambas as seleções se enfrentam após terem tido desempenhos semelhantes nas duas primeiras rodadas: sofreram mais do que o esperado contra a Austrália e venceram com certa tranquilidade a Espanha.
• Em uma Copa do Mundo onde as defesas com cinco jogadores tem tido tanto destaque, este pode ser o primeiro confronto do mundial com ambas as seleções usando três zagueiros e dois alas. Coincidentemente, ambos venceram a Espanha jogando no 5-2-3.
• Porém, Chile e Holanda podem fazer mudanças em seus times titulares e atuarem no 4-3-1-2 e 4-2-3-1, respectivamente.
• No Chile, a dúvida é entre Jorge “Mago” Valdivia e Francisco “Gato” Silva. A escolha do técnico Jorge Sampaoli significará qual será o posicionamento tático de sua seleção: com Valdivia, o time joga no 4-3-1-2, enquanto que com “Gato” Silva o posicionamento será 5-2-3. Pelo o que foi visto contra a Espanha, acho improvável que Sampaoli abandone o posicionamento tático com cinco defensores. Já Felipe Gutiérrez deverá titular no lugar de Arturo Vidal, que seria poupado.
• Na Holanda, Bruno Martins Indi será poupado após deixar o jogo contra a Australia por conta de uma pancada na cabeça. Tudo indica que Memphis Depay ganhará a titularidade, o que faria a Holanda jogar no 4-2-3-1. Depay esteve em destaque contra os australianos, com um gol e uma assistência.
• Será um duelo interessantíssimo. O Chile de Sampaoli certamente fará pressão na saída de bola holandesa, que teve diversos problemas para superar a pressão da Austrália em seu último jogo. Com isso, pode ser arriscado para o time de Louis Van Gaal querer ter tanta posse de bola, o que proporcionaria um jogo mais direto para Robin Van Persie e Arjen Robben, algo que não desagradaria à Holanda.
• Um palpite: mais posse de bola para os chilenos, mais jogo direto para os holandeses. De qualquer maneira, será interessante ver como duas defesas com problemas e debilidades irão se comportar contra dois ataques muito potentes e explosivos. Se Van Persie e Robben fazem grande Copa do Mundo, o desempenho de Alexis Sánchez é tão bom quanto.

Escalações prováveis

Escalações prováveis

Surpresa da Copa, Costa Rica atua com cinco defensores

Surpresa da Copa, Costa Rica atua com cinco defensores

Jogos em que uma seleção (em negrito) utilizou defesa com cinco jogadores durante os 90 minutos na Copa do Mundo 2014:

México 1-0 Camarões
• Espanha 1-5 Holanda
• Uruguai 1-3 Costa Rica
• Brasil 0-0 México
• Espanha 0-2 Chile
• Itália 0-1 Costa Rica

Cinco vitórias e um empate. Esse é o retrospecto das defesas com cinco jogadores na Copa do Mundo 2014. É algo impressionante. Mas por quê?

É difícil encontrar uma explicação simples. México, Holanda, Chile e Costa Rica, além da defesa com cinco jogadores, fizeram ótimas atuações para conseguir tais resultados, o que torna indecifrável saber até que ponto o posicionamento tático influiu nos resultados finais. Talvez fosse possível conseguir os mesmos resultados com outros desenhos táticos. Talvez seja algo que vá ganhar força no cenário mundial nos próximos anos.

Em nível de clubes, pensar em cinco defensores nos últimos anos nos remete a Juventus, tricampeã italiana jogando desta maneira. Porém, não deixa de ser exótico que Pep Guardiola, o maior gênio tático do século XXI no futebol, tenha utilizado uma defesa com cinco jogadores recentemente. Foi na final da Copa da Alemanha deste ano, contra o Borussia Dortmund, vencida pelo Bayern de Guardiola. O mais curioso é que os méritos do time de Munique naquela final são os mesmos das seleções que venceram com esse sistema na Copa do Mundo.

Alguns aspectos de um time com uma defesa com cinco jogadores
• No futebol atual, ter posse de bola significa que seus extremos não estejam pelos lados, mas sim pelo centro. Como consequência, seus laterais tem papel fundamental no ataque. Com cinco defensores, sendo dois alas e três zagueiros, os alas tem grande liberdade para atacar, acrescentando a profundidade ofensiva de um extremo, mas sem deixar o time desprotegido, já que sempre os três zagueiros estarão defendendo.
Exemplificando: o México não utiliza extremos. Quem acrescenta profundidade pelos lados são os alas, que fazem dupla com os interiores, estes sim os encarregados de dar fluidez ao jogo ofensivo do time.

• Jogar com cinco defensores te garante segurança defensiva – aqui, logicamente, são necessárias ordem e capacidade técnica. Um dos três zagueiros pode adiantar a sua posição para cobrir espaços no meio-campo. O extremo, caso existente no desenho tático, não está tão obrigado a trabalhos defensivos, já que ala + zagueiro podem fazer a marcação ao lateral + extremo adversário.
Exemplificando: na vitória contra a Espanha, a Holanda jogou no 5-2-3. Arjen Robben e Robin Van Persie eram “falsos extremos”, enquanto Wesley Sneijder era o “falso 9”. Na hora de defender, os holandeses não precisavam que Robben e Van Persie recuassem acompanhando os laterais espanhóis. A linha defensiva com cinco jogadores se responsabilizava por cobrir os espaços no meio-campo e nas laterais.

Superioridade na saída de bola com cinco defensores. Foi o que buscou Guardiola na final da Copa da Alemanha contra o Dortmund. Preocupado com os rápidos contra-ataques do adversário (solidez defensiva citada no tópico acima) e querendo ter fluidez na saída de bola contra um time que pressionava incansavelmente no campo de ataque, Guardiola utilizou um 5-2-2-1.
Exemplificando: com três zagueiros para o primeiro passe, dois alas para saída pelos lados e dois meio-campistas pelo centro, o Bayern sempre tinha muitas opções de passe. Nunca faltavam “linhas de passe”, o que evita os roubos do Dortmund no campo contrário. Algo parecido acontece com a Costa Rica na Copa do Mundo 2014. Inclusive o desenho tático é bem similar. Dificilmente uma seleção que atua com cinco defensores fica sem opções de passe na hora da saída de bola.

• Ter sempre seis ou sete opções de passe para a saída de bola obriga o rival a adiantar demais as linhas para pressionar e essa pressão pode envolver todos os meio-campistas adversários e ceder espaços entre linhas. Isso adiciona uma possibilidade ao time que joga com cinco defensores: o jogo direto para os homens de ataque.
Exemplificando: no jogo Uruguai 1-3 Costa Rica, os uruguaios adiantaram muito a linha de meio-campo para pressionar e concederam espaços entre linhas para o atacante móvel Joel Campbell, que teve uma atuação monumental aproveitando esses espaços. Outras seleções com defesa de cinco jogadores também tem atacantes buscando espaços entre linhas. No Chile, Alexis Sánchez. No México, Giovani dos Santos. Até mesmo na própria Costa Rica, onde os extremos Bryan Ruiz e Christian Bolaños centralizam em busca de esses espaços.

Desenho tático – México: 5-3-2México

Desenho tático – Holanda: 5-2-3Holanda

Desenho tático – Chile: 5-2-3Chile

Desenho tático – Costa Rica: 5-4-1Costa Rica