Archive for the ‘Análise tática’ Category

A Copa do Mundo começa a entrar em sua fase decisiva. Já foram disputados 32 jogos de um total de 64. Antes do início do mata-mata, falta definir os classificados para as oitavas-de-final. Nesta segunda-feira, serão decididos os grupos A e B com duas finais em destaque: Croácia-México e Holanda-Chile.

Em Recife, uma final por uma vaga nas oitavas

2375140_big-lndO Brasil não irá perder para Camarões. Logo, Croácia e México se enfrentam sabendo que apenas uma das seleções terminará o jogo em Recife classificada. O clima é de confiança em ambas as seleções, especialmente na croata, onde Luka Modric deu declarações bem entusiasmadas no dia prévio ao jogo.

Alguns aspectos importantes em relação ao jogo
• Nos dois jogos até aqui, foi mais convincente o México, em especial, por três fatores: foi muito prejudicado pela arbitragem contra Camarões, fez uma atuação bastante destacável contra o Brasil e ainda não sofreu gols na Copa do Mundo.
• A vitória por 4-0 sobre Camarões não foi exatamente uma grande atuação da Croácia. Os camaroneses jogaram boa parte da partida com um jogador a menos e não mostraram nenhuma organização defensiva. A defesa de Camarões foi um convite para a goleada, que poderia ter tido muito mais gols, apesar da atuação apenas boa dos croatas.
• Quem vencer se classifica, mas o empate vale para o México. Isso não significa que a seleção de Miguel “Piojo” Herrera jogará pensando na igualdade, até porque a mentalidade do treinador está longe de ser esta.
• “Piojo” Herrera já confirmou seu XI titular: repetirá o mesmo time que começou jogando nas duas primeiras rodadas. E não há motivos para mudar, até porque as sensações deixadas foram ótimas e o time se mostrou capaz de competir até contra o Brasil.
• Na Croácia, Mario Mandzukic e Danijel Pranjic foram titulares contra Camarões após perderem a estreia por suspensão e lesão, respectivamente. Ambos seguirão no time que começa jogando. A única dúvida é quem jogará atrás de Mandzukic: Mateo Kovacic foi titular contra o Brasil e não esteve bem, enquanto Sammir foi titular no segundo jogo e deixou alguns bons detalhes – contra um rival muito menos exigente.
• A Croácia precisará ter a iniciativa, pois necessita ganhar. Entretanto, acho difícil imaginar que os croatas monopolizem a posse de bola. Contra o Brasil, o México quis ter a bola em seus pés o máximo de tempo possível, o que não deve ser diferente amanhã, até porque os mexicanos têm condições para competir pela posse de bola.
• Pode ser fator: Giovani dos Santos com espaços entre linhas, se aproveitando de que Luka Modric e Ivan Rakitic não são meio-campistas que guardam posição. Foi algo que Neymar aproveitou na abertura do mundial contra os croatas e algo que Giovani ainda não conseguiu por conta dos adversários que enfrentou. O México espera e precisa do melhor Giovani dos Santos contra a Croácia.

Escalações prováveis

Escalações prováveis

Holanda e Chile disputam a primeira colocação do grupo B

2376154_big-lndAntes do início da Copa do Mundo, poucos imaginariam que holandeses e chilenos chegariam à última rodada disputando a primeira colocação do grupo, ainda mais com a Espanha já estando eliminada. A aposta de muitos era de que esse jogo acabaria valendo uma vaga no mata-mata.

Alguns aspectos importantes em relação ao jogo
• Ambas as seleções se enfrentam após terem tido desempenhos semelhantes nas duas primeiras rodadas: sofreram mais do que o esperado contra a Austrália e venceram com certa tranquilidade a Espanha.
• Em uma Copa do Mundo onde as defesas com cinco jogadores tem tido tanto destaque, este pode ser o primeiro confronto do mundial com ambas as seleções usando três zagueiros e dois alas. Coincidentemente, ambos venceram a Espanha jogando no 5-2-3.
• Porém, Chile e Holanda podem fazer mudanças em seus times titulares e atuarem no 4-3-1-2 e 4-2-3-1, respectivamente.
• No Chile, a dúvida é entre Jorge “Mago” Valdivia e Francisco “Gato” Silva. A escolha do técnico Jorge Sampaoli significará qual será o posicionamento tático de sua seleção: com Valdivia, o time joga no 4-3-1-2, enquanto que com “Gato” Silva o posicionamento será 5-2-3. Pelo o que foi visto contra a Espanha, acho improvável que Sampaoli abandone o posicionamento tático com cinco defensores. Já Felipe Gutiérrez deverá titular no lugar de Arturo Vidal, que seria poupado.
• Na Holanda, Bruno Martins Indi será poupado após deixar o jogo contra a Australia por conta de uma pancada na cabeça. Tudo indica que Memphis Depay ganhará a titularidade, o que faria a Holanda jogar no 4-2-3-1. Depay esteve em destaque contra os australianos, com um gol e uma assistência.
• Será um duelo interessantíssimo. O Chile de Sampaoli certamente fará pressão na saída de bola holandesa, que teve diversos problemas para superar a pressão da Austrália em seu último jogo. Com isso, pode ser arriscado para o time de Louis Van Gaal querer ter tanta posse de bola, o que proporcionaria um jogo mais direto para Robin Van Persie e Arjen Robben, algo que não desagradaria à Holanda.
• Um palpite: mais posse de bola para os chilenos, mais jogo direto para os holandeses. De qualquer maneira, será interessante ver como duas defesas com problemas e debilidades irão se comportar contra dois ataques muito potentes e explosivos. Se Van Persie e Robben fazem grande Copa do Mundo, o desempenho de Alexis Sánchez é tão bom quanto.

Escalações prováveis

Escalações prováveis

Surpresa da Copa, Costa Rica atua com cinco defensores

Surpresa da Copa, Costa Rica atua com cinco defensores

Jogos em que uma seleção (em negrito) utilizou defesa com cinco jogadores durante os 90 minutos na Copa do Mundo 2014:

México 1-0 Camarões
• Espanha 1-5 Holanda
• Uruguai 1-3 Costa Rica
• Brasil 0-0 México
• Espanha 0-2 Chile
• Itália 0-1 Costa Rica

Cinco vitórias e um empate. Esse é o retrospecto das defesas com cinco jogadores na Copa do Mundo 2014. É algo impressionante. Mas por quê?

É difícil encontrar uma explicação simples. México, Holanda, Chile e Costa Rica, além da defesa com cinco jogadores, fizeram ótimas atuações para conseguir tais resultados, o que torna indecifrável saber até que ponto o posicionamento tático influiu nos resultados finais. Talvez fosse possível conseguir os mesmos resultados com outros desenhos táticos. Talvez seja algo que vá ganhar força no cenário mundial nos próximos anos.

Em nível de clubes, pensar em cinco defensores nos últimos anos nos remete a Juventus, tricampeã italiana jogando desta maneira. Porém, não deixa de ser exótico que Pep Guardiola, o maior gênio tático do século XXI no futebol, tenha utilizado uma defesa com cinco jogadores recentemente. Foi na final da Copa da Alemanha deste ano, contra o Borussia Dortmund, vencida pelo Bayern de Guardiola. O mais curioso é que os méritos do time de Munique naquela final são os mesmos das seleções que venceram com esse sistema na Copa do Mundo.

Alguns aspectos de um time com uma defesa com cinco jogadores
• No futebol atual, ter posse de bola significa que seus extremos não estejam pelos lados, mas sim pelo centro. Como consequência, seus laterais tem papel fundamental no ataque. Com cinco defensores, sendo dois alas e três zagueiros, os alas tem grande liberdade para atacar, acrescentando a profundidade ofensiva de um extremo, mas sem deixar o time desprotegido, já que sempre os três zagueiros estarão defendendo.
Exemplificando: o México não utiliza extremos. Quem acrescenta profundidade pelos lados são os alas, que fazem dupla com os interiores, estes sim os encarregados de dar fluidez ao jogo ofensivo do time.

• Jogar com cinco defensores te garante segurança defensiva – aqui, logicamente, são necessárias ordem e capacidade técnica. Um dos três zagueiros pode adiantar a sua posição para cobrir espaços no meio-campo. O extremo, caso existente no desenho tático, não está tão obrigado a trabalhos defensivos, já que ala + zagueiro podem fazer a marcação ao lateral + extremo adversário.
Exemplificando: na vitória contra a Espanha, a Holanda jogou no 5-2-3. Arjen Robben e Robin Van Persie eram “falsos extremos”, enquanto Wesley Sneijder era o “falso 9”. Na hora de defender, os holandeses não precisavam que Robben e Van Persie recuassem acompanhando os laterais espanhóis. A linha defensiva com cinco jogadores se responsabilizava por cobrir os espaços no meio-campo e nas laterais.

Superioridade na saída de bola com cinco defensores. Foi o que buscou Guardiola na final da Copa da Alemanha contra o Dortmund. Preocupado com os rápidos contra-ataques do adversário (solidez defensiva citada no tópico acima) e querendo ter fluidez na saída de bola contra um time que pressionava incansavelmente no campo de ataque, Guardiola utilizou um 5-2-2-1.
Exemplificando: com três zagueiros para o primeiro passe, dois alas para saída pelos lados e dois meio-campistas pelo centro, o Bayern sempre tinha muitas opções de passe. Nunca faltavam “linhas de passe”, o que evita os roubos do Dortmund no campo contrário. Algo parecido acontece com a Costa Rica na Copa do Mundo 2014. Inclusive o desenho tático é bem similar. Dificilmente uma seleção que atua com cinco defensores fica sem opções de passe na hora da saída de bola.

• Ter sempre seis ou sete opções de passe para a saída de bola obriga o rival a adiantar demais as linhas para pressionar e essa pressão pode envolver todos os meio-campistas adversários e ceder espaços entre linhas. Isso adiciona uma possibilidade ao time que joga com cinco defensores: o jogo direto para os homens de ataque.
Exemplificando: no jogo Uruguai 1-3 Costa Rica, os uruguaios adiantaram muito a linha de meio-campo para pressionar e concederam espaços entre linhas para o atacante móvel Joel Campbell, que teve uma atuação monumental aproveitando esses espaços. Outras seleções com defesa de cinco jogadores também tem atacantes buscando espaços entre linhas. No Chile, Alexis Sánchez. No México, Giovani dos Santos. Até mesmo na própria Costa Rica, onde os extremos Bryan Ruiz e Christian Bolaños centralizam em busca de esses espaços.

Desenho tático – México: 5-3-2México

Desenho tático – Holanda: 5-2-3Holanda

Desenho tático – Chile: 5-2-3Chile

Desenho tático – Costa Rica: 5-4-1Costa Rica

InglaterraEstou sempre buscando analisar aspectos positivos em relação ao esporte. Ao contrário de muitos que buscam sempre defeitos, procuro, antes de tudo, ver as qualidades. A Inglaterra que disputará a Copa do Mundo no Brasil tem gerado debates que criam muitas opiniões negativas sobre os Three Lions.

Posso estar falando uma besteira absurda e que culminará na eliminação inglesa na primeira fase, mas a Inglaterra de 2014 me encanta. Muito por conta do trabalho realizado na cidade Liverpool pelos treinadores das equipes locais, Brendan Rodgers e Roberto Martínez, que colocaram oito jogadores na lista de 23 da Inglaterra.

A Inglaterra versão 2014 tem poucas expectativas, mas muito talento. Quem costuma assistir aos fantásticos jogos do Campeonato Inglês certamente ficará muito ansioso para ver jovens talentos como Luke Shaw, Jack Wilshere, Jordan Henderson, Alex Oxlade-Chamberlain, Raheem Sterling, Ross Barkley, Daniel Sturridge e Danny Welbeck disputarem seus primeiros jogos de Copa do Mundo no Brasil, mesmo que ainda com pouca idade.

O sucesso do Liverpool de Rodgers e do Everton de Martínez durante a temporada 2013-14 certamente influiu nos pensamentos do treinador da seleção inglesa, Roy Hodgson, nos últimos meses. Até por isso espero uma Inglaterra atrativa no Brasil. Provavelmente não tendo 65% de posse de bola, mas sendo atrativa da sua maneira, como nos acostumamos a ver alguns dos jovens talentos atuando em seus clubes. Se pensarmos que a Itália pode ter mais posse de bola que a Inglaterra na primeira rodada do Mundial, teremos a oportunidade de ver Adam Lallana com mais espaços para brilhar do que nos amistosos recentes, por exemplo.

A Inglaterra tem problemas, logicamente. Não penso que os ingleses serão finalistas da Copa, mas vejo boas possibilidades de uma campanha digna, com talentos individuais aparecendo para o grande público mundial e se adaptando ao ambiente de uma grande competição que certamente vão seguir disputando. Assistir a Ross Barkley entrando bem no lugar de um Wayne Rooney em baixo nível certamente é algo interessante para qualquer fã da Premier League que conhece o potencial do atual jogador do Everton, que mesmo com 20 anos já mostra qualidades encantadoras.

Sempre se fala em “jogar bonito”. Existem diferentes visões para isso. Alguns pensam que jogar bonito é o que fazem o Barcelona e a Espanha. Se realmente for isso, os times que jogam bonito no mundo serão quatro ou cinco. Às vezes, jogar bonito pode ser recuar as linhas quando necessário e a partir disso ver Oxlade-Chamberlain e Sterling usarem sua combinação de velocidade, habilidade e inteligência para criar desequilíbrios.

Assim como a Inglaterra, os outros times do grupo D (Itália e Uruguai) também têm problemas. Todas as 32 seleções da Copa estão cheias de problemas, muitos deles problemas físicos e de ausência de jogadores importantes por lesão. Por isso é difícil fazer prognósticos, especialmente em um grupo com seleções que não precisam jogar em grande nível para conseguir resultados positivos, como italianos e uruguaios, mas acredito numa boa campanha inglesa.

México ainda tem duvidas, inclusive de posicionamento: 4-1-3-2 ou 5-3-2

México ainda tem duvidas, inclusive de posicionamento: 4-1-3-2 ou 5-3-2

O México chegou as oitavas-de-final nas últimas seis Copas do Mundo que disputou. Nunca foi adiante. Apesar do sonho “do quinto jogo” seguir vivo na cabeça do torcedor mexicano, a realidade para 2014 é bem diferente. Em um grupo com Brasil, Croácia e Camarões, fica improvável imaginar que o México chegará ao quarto jogo.

A preparação para a Copa realizada no México e nos Estados Unidos não foi tão animadora como precisava ser tendo em vista que Miguel “Piojo” Herrera ainda não tinha adaptado os 23 convocados a sua maneira de jogar.

Conclusões positivas dos amistosos de preparação

• Apesar da derrota, o último amistoso, contra Portugal, deixou ótimas impressões. O México foi muito superior no segundo tempo e teve oportunidades para fazer vários gols. A derrota veio em uma bola parada aos 92’ minutos de jogo.
• Héctor Herrera está bem tecnicamente e foi o mais regular nos quatro amistosos. O jogador do Porto é fundamental na transição para o ataque.
• Rafa Márquez é um escândalo. Aos 35 anos, longe do melhor momento da carreira, é o comandante mexicano quando o time busca ter posse de bola e atacar. Seja como zagueiro mais recuado ou adiantando a sua posição para se tornar meio-campista, pode ser fator em um sucesso mexicano no Brasil.
• Dizem que posição onde Andrés Guardado rende melhor é como interior. Foi assim que o Principito fez ótimo jogo contra Portugal. Com Carlos “Gullit” Peña em péssimo nível, Guardado deve estar no XI titular mexicano.
• José Juan “Gallo” Vázquez fez ótimo jogo contra Portugal, jogando a frente de Rafa Márquez no 4-1-3-2 mexicano. Não acrescenta no jogo ofensivo, mas está sempre bem posicionado e recuperando bolas.
• Ainda não se sabe quem será o goleiro titular do México. Alguns dizem que isso é ruim. Discordo. Jesús Corona e Memo Ochoa são grandes goleiros e quem começar jogando terá seus méritos, apesar de eu preferir o goleiro do Ajaccio.

Conclusões negativas dos amistosos de preparação

• Por mais que não tenha experiência no futebol de primeiro nível, ter perdido Luis Montes foi um duro golpe para o México. Especialmente no amistoso contra a Bósnia, faltou alguém a capacidade de passe de Montes no meio-campo. Duro golpe.
• O 5-3-2 de Miguel Herrera encontra problemas no meio-campo na hora de defender. A Bósnia, um time capacitado tecnicamente para trocar passes, como a Croácia, trucidou o México na primeira meia hora de jogo tendo muita superioridade no meio-campo. Isso obrigou o México a passar ao 4-1-3-2 com o zagueiro pelo centro (Carlos Salcido ou Rafa Márquez) se tornando meio-campista. Tal mudança equilibrou o jogo. No mundial, o México poderá variar do 5-3-2 para o 4-1-3-2 muitas vezes. Tudo depende da posição de Rafa Márquez.
• Nenhum gol dos cinco atacantes nos amistosos. Preocupante, ainda mais porque se pensava que a dupla de ataque poderia ser um ponto positivo do México para a Copa. Oribe Peralta é titular indiscutível, mas tem jogado mal e não tem feito por merecer o lugar cativo. Giovani dos Santos vive de lapsos de bom futebol, mas é o melhor jogador dessa seleção e precisa ser titular, algo que tem grandes chances de não acontecer, apesar de Javier “Chicharito” Hernández não render bem ao lado de Peralta. Giovani-Chicharito é a melhor opção para a dupla de frente.
• Paul Aguilar e Miguel Layún estão imprecisos ofensivamente e devem ser os laterais/alas titulares. Defensivamente, porém, tem mostrado bom nível, algo que será importante na estreia, contra Camarões.
• Diego Reyes é adorado por Miguel Herrera, até por terem trabalhado juntos no América, mas o nível do zagueiro do Porto tem sido muito baixo, tanto que isso o credenciou a ser reserva de Francisco Javier “Maza” Rodríguez.

Giovani disputará sua segunda Copa do Mundo

Giovani disputará sua segunda Copa do Mundo

Miguel “Piojo” Herrera acertou mais uma vez. O ex-treinador do América convocou os melhores jogadores mexicanos disponíveis para a Copa do Mundo. Era o primeiro passo necessário para uma seleção que terá que se superar para alcançar o desejo das oitavas-de-final.

Giovani estará no mundial

Giovani dos Santos estar entre os 23 é uma grande notícia para o futebol mexicano. Há dois dias, ninguém sabia se o atacante do Villarreal estaria na lista. Ou seja, 48 horas antes da definição dos convocados, o melhor jogador mexicano disponível (desconsiderando Carlos Vela) tinha boas chances de ficar fora da Copa do Mundo.

Mundial de 2010, Copa Ouro de 2011, Jogos Olímpicos de 2012 e Copa das Confederações em 2013. Giovani dos Santos foi fator nos últimos quatro torneios importantes disputados pela seleção mexicana. Sempre era a partir dele que o México atacava. Sempre era Giovani quem aparecia para decidir. Sempre estava em Giovani a esperança, mesmo quando Javier “Chicharito” Hernández era notícia ao redor do mundo por conta de seu sucesso no Manchester United.

No 5-3-2 de Miguel Herrera, o México precisa de Giovani, um atacante móvel e capaz de criar desequilíbrios entrelinhas jogando ao lado de Oribe Peralta. Acima disso, o Méxco precisa da qualidade de Giovani, de seu poder de decisão, de sua capacidade de carregar o time sozinho.

Os nomes questionáveis

Assim como na convocação da seleção brasileira, a convocação asteca também teve alguns questionamentos, mas não de grande relevância.

• “Maza” Rodríguez ser convocado é até absurdo, mas partindo do princípio que o zagueiro será reserva…
• Carlos Salcido não tem jogado em alto nível e estará na Copa muito por causa de sua experiência e garantia de segurança em caso de emergência;
• Juan Carlos “Negro” Medina nunca me convenceu. O problema é encontrar opções melhores que o meio-campista do América. Por ser de confiança de Miguel Herrera, estará na Copa.

Agora é necessário montar um XI competitivo

É bem provável que o México chegue a Copa com a pior seleção desde 2002. Talvez a seleção com menos chances de bons resultados, por tudo o que aconteceu durante o hexagonal da Concacaf, por estar em um grupo com Brasil e Croácia, por ter vários jogadores experientes em nível questionável ou jovens sem experiência internacional.

“Piojo” Herrera acertou na convocação. Agora é preciso montar um XI competitivo para sonhar com a classificação as oitavas-de-final.

• No gol, não existem grandes problemas. Talvez Jesús Corona seja o titular, mas Alfredo Talavera e Memo Ochoa também são de bom nível;
• Na zaga, com Diego Reyes, Rafa Márquez e Héctor Moreno, creio que o México tenha um trio relativamente bom. Nada excepcional, especialmente pela juventude de Diego e o envelhecimento de Rafa, mas que pode cumprir bem;
• Nas alas, seja com Paul Aguilar pela direita, Andrés Guardado pela esquerda ou Miguel Layún por qualquer dos lados, não creio que seja um problema. Assim como o trio de zaga, não são jogadores espetaculares, mas podem render em nível decente;
• O meio-campo é a chave para o sucesso mexicano, especialmente contra a Croácia de Luka Modrić e Ivan Rakitić. O trio mexicano que mais me agrada no setor seria formado por Luis Montes (capacidade técnica), Héctor Herrera (adaptado a pivot do meio-campo) e Carlos “Gullit” Peña (que gosta de chegar à área adversária). O grande problema está no baixo nível de “Gullit” em 2014, especialmente em termos físicos.
• No ataque, Oribe Peralta será titular. Acho provável que Giovani dos Santos seja seu companheiro. Apesar disso, me agradaria mais uma dupla formada por Giovani e Raúl Jiménez (mais móvel que Peralta).

O desenho tático das equipes no clássico

O desenho tático das equipes no clássico

É tradicional se afirmar que um jogo de futebol, além de dois tempos de 45 minutos, é dividido por períodos definidos pelos times em campo. Então, para analisar a vitória por 4-3 do Barcelona sobre o Real Madrid neste domingo, pela 29ª rodada do Campeonato Espanhol, dividi o jogo em seis períodos dependendo do que demonstravam as equipes em campo – não exatamente seis períodos de 15 minutos.

Minuto 0 ~ 15 – O Real Madrid começa tentando pressionar a frente para recuperar a bola com maior facilidade. Xabi Alonso adianta a sua posição a frente da zaga e acaba deixando espaços para que Lionel Messi apareça entre a linha de defesa e meio-campo do Real, obrigando Pepe e, principalmente, Sergio Ramos a saírem atrasados na busca por cortar os espaços de Leo. Essa é a área de atuação que mais agrada ao argentino e onde o mesmo mais cria perigo. Foi assim que o Barcelona conseguiu superioridade territorial no princípio de jogo e criou as melhores chances. O gol de Andrés Iniesta sai justamente de um passe de Messi após o camisa 10 blaugrana receber a bola entre Pepe/Ramos e Xabi Alonso.

Di María completou sete dribles no primeiro tempo, todos pelo lado esquerdo

Di María completou sete dribles no primeiro tempo, todos pelo lado esquerdo

Minuto 15 ~ 30 – Reage o Real Madrid, apesar de seguir sofrendo muito para tomar a bola do Barcelona. A figura de Ángel di María, por muito o melhor em campo no primeiro tempo, é o grande responsável por tal reação. Sem a ajuda defensiva de Neymar, o lado direito da defesa do Barcelona acaba ficando exposto e Daniel Alves é facilmente batido por Di María no um-contra-um pelo menos quatro vezes. Em duas destas oportunidades, Ángelito cruza para o doblete de Karim Benzema – que também perdeu outra grande chance neste período de jogo.

Leo Messi completou 19 passes no primeiro tempo jogando entre a defesa e o meio-campo do Real

Leo Messi completou 19 passes no primeiro tempo jogando entre a defesa e o meio-campo do Real

Minuto 30 ~ 45 – Com a vantagem no placar, o Real Madrid recua suas linhas e entrega a posse de bola ao Barcelona. Xabi Alonso, melhor posicionado, tira os espaços de ação de Lionel Messi e deixa o Barcelona sem alternativas já que falta profundidade pelos costados, onde Daniel Alves e Jordi Alba não acrescentam nada, enquanto Neymar erra demais e faz péssima partida. Porém, Messi volta a aparecer e, contando com a sorte, empata o clássico após confusão na área. Antes do intervalo, Karim Benzema ainda perde mais uma grande chance de gol.

Minuto 45 ~ 60 – Em um período equilibrado e com pouca claridade, aparecem Gareth Bale e Cristiano Ronaldo, que até então não haviam criado nada no ataque do Real. Primeiro, o galês arranca com a bola e oferece mais um gol a Benzema, que desperdiça mais uma chance. Pouco depois, aparece o português, para sofrer pênalti de Daniel Alves e na cobrança recolocar os merengues em vantagem.

Minuto 60 ~ 65 – O Barcelona aumenta o ritmo em busca do empate. Andrés Iniesta quase marca em chute de fora da área. Porém, o lance que iria mudar o rumo do clássico seria o pênalti de Sergio Ramos em Neymar, após passe genial de Leo Messi entrelinhas. A expulsão de Ramos e a penalidade convertida pelo argentino fazem com que as forças do Real Madrid sejam reduzidas a quase zero.

Minuto 65 ~ 90 – O que já era um domínio da posse de bola por parte do Barcelona se intensifica ainda mais. Com um jogador a menos, o Real Madrid se fecha e espera uma chance para contra-atacar com Bale ou Cristiano, algo que não aconteceria até o final, já que a atuação de ambos era bem decepcionante. Enquanto isso faltava espaço para Messi aparecer e consequentemente o Barcelona criava pouco. Um chute de fora da área de Daniel Alves que acertaria a trave foi o único perigo criado pelos visitantes. Até que, já no minuto 84’, Iniesta cavou um pênalti de Xabi Alonso e Messi acabou por dar a vitória ao Barça.

Atual campeão mexicano, León manteve "Gullit" Peña, mas perdeu Burbano

Atual campeão mexicano, León manteve “Gullit” Peña, mas perdeu Burbano

Nesta quarta-feira, o Flamengo estreia na Libertadores 2014. O primeiro compromisso do rubro-negro carioca é contra os mexicanos do Club León. Um adversário difícil, especialmente jogando no Nou Camp. Porém, poderia ser bem pior para o Flamengo.

Em 2014, o León não passa nem perto de repetir as boas atuações que o levaram à conquista do torneio Apertura da Liga MX, no segundo semestre de 2013. Existe, claramente, uma queda de rendimento coletiva e individual nos esmeraldas, que não vencem há quatro rodadas no torneio Clausura (três derrotas e um empate). Nem jogar em casa tem significado sucesso para o León neste ano – o clube perdeu para Pachuca e Pumas nas últimas duas vezes que jogou no Nou Camp.

Desenho tático do León - Destaque para a mobilidade de Montes e Peña no meio-campo

Desenho tático do León – Destaque para a mobilidade de Montes e Peña no meio-campo

Comparando o elenco atual com o roster campeão no semestre passado, apenas um jogador importante não está mais com os panzas verdes: o colombiano Hernán Darío Burbano, que era a principal opção ofensiva para acelerar o jogo. Para o lugar dele chegou Elías Hernández, ex-Tigres e com passagens pela seleção mexicana. Elías joga na mesma posição (extremo-esquerdo) e com o mesmo estilo de jogo de Burbano, mas o nível é inferior e a capacidade de desequilíbrios pelo lado esquerdo é menor.

O restante do time é basicamente o mesmo. Na defesa, Jonny Magallón joga na lateral-direita e pouco vai ao ataque, até por ser originalmente um zagueiro. Na outra lateral, Edwin Hernández é o oposto: muito ofensivo e constantemente “doblando” com Elías Hernández. O experiente Rafa Márquez e Ignacio González formam a dupla de zaga, com destaque para a falta de velocidade do ex-jogador do Barcelona, que já está com 34 anos.

No meio-campo, o ponto forte do time, estão os maiores destaques do León: Luis Montes e Carlos “Gullit” Peña, que são completados por José Juan “Gallo” Vázquez e o já citado Elías Hernández. “Chapo” Montes, apesar de taticamente ser o extremo-direito, se move para o centro enquanto o time tem a posse de bola, onde oferece qualidade técnica e ótimo passe ao setor, ajudando inclusive no domínio territorial. “Gallo” Vázquez é o meio-campista mais recuado e responsável pelo primeiro passe, onde se destaca com quase 90% de acerto nos passes em jogos da Liga MX. Mas o principal jogador do León é “Gullit” Peña, que provavelmente será titular com o México na Copa do Mundo. Forte fisicamente e bom tecnicamente, “Gullit” se destaca “rompendo linhas” com suas arrancadas com e sem a bola do meio-campo até a área rival. O baixo rendimento do León em 2014 é muito por conta da queda de nível de Peña, que tem jogado mal após a segunda rodada do torneio Clausura e esteve impreciso até no amistoso da seleção do México contra a Coréia do Sul, no final de janeiro.

No ataque, fica a duvida em quem será o parceiro do argentino Mauro Boselli, onde os uruguaios Matías Britos (mais móvel) e Nelson Sebastián Maz (mais físico) costumam se revezar.

Inicialmente, a maior preocupação do Flamengo deve ser como parar “Gullit” Peña e Luis Montes. Em teoria, os avanços de Peña o fariam “bater de frente” com Muralha, algo que pode ser complicado devido ao nível do jovem flamenguista. Já com Montes a situação é menos complexa: como o camisa 10 joga da direita para o centro, Amaral pode oferecer uma boa proteção nas áreas de atuação de “Chapo”.

Importante: Rafa Márquez não tem atuado nas últimas semanas. Em seu lugar tem jogado o colombiano Eisler Loboa, um extremo que virou lateral-direito e que acrescenta bem mais subidas ao ataque. Com Loboa na lateral, quem forma dupla de zaga com “Nacho” González é Magallón.

Após o fracasso na Euro 2012, tempos de mudanças chegaram para a seleção da Holanda. Era hora de trocar o conservadorismo – e os problemas internos – de Bert van Marwijk por algo mais arriscado e que realmente fizesse a Orange demonstrar aquele seu tradicional futebol ofensivo de outros tempos.

Acabou que o encarregado por assumir o cargo de treinador foi Louis van Gaal, muito questionado aqui no Brasil e que acabou sendo considerado um retrocesso para a seleção holandesa, já que o mesmo era o comandante do selecionado laranja que fracassou na tentativa de se classificar para a Copa do Mundo de 2002.

Porém, devo ser o único neste país a ver com bons olhos as ideias do novo treinador da Holanda. Van Gaal vai contra o “modismo” do futebol atual, criado pelo Barcelona e pela seleção da Espanha – futebol de muito toque de bola, laterais ultra ofensivos, “falsos extremos”, “falso número nove”, trocas de posição o tempo todo.

Nesse início de trabalho, Van Gaal tem transformado o conservador 4-2-3-1 de Van Marwijk em um 4-3-3 ofensivo e com princípios que me agradam: um lateral atacando por vez; um pivot defensivo que não recua entre os zagueiros (Nigel de Jong ou Jordy Clasie); um meio-campista central jogando como box-to-box (Kevin Strootman); um meio-campista central mais ofensivo e criativo (Wesley Sneijder ou Rafael van der Vaart); dois extremos bem abertos e sendo frequentemente acionados; um atacante central mais fixo.

Outra coisa que me agrada no trabalho de Van Gaal é a renovação, a oportunidade para jovens jogadores, algo bastante necessário após a Euro 2012. Nesse curto período, Van Gaal já tornou quase que titulares absolutos a Bruno Martins Indi (zagueiro ou lateral-esquerdo) e Kevin Strootman (meio-campista central); Ricardo van Rhijn e Daryl Janmaat tem se revezado na lateral-direita, finalmente tirando o sofrível Gregory van der Wiel da titularidade absoluta; Jetro Willems seguiu sendo chamado e foi efetivado na lateral-esquerda; Luciano Narsingh e Jermain Lens receberam oportunidades e mostraram grande nível pelos lados do ataque; além de Jordy Clasie, Leroy Fer, Ruben Schaken e outros prospectos que tem ganhado espaço e convocações, o que era praticamente inimaginável com Bert van Marwijk.

Logicamente, ainda é cedo para análises mais profundas quanto a rendimento, já que a Holanda de Van Gaal venceu bem os adversários mais limitados que enfrentou, mas teve dificuldades contra rivais de melhor nível (derrota para a Bélgica e vitória contra a Turquia). No entanto, de maneira geral, as ideias do novo treinador são bem satisfatórias, assim como o rendimento da equipe como um todo e dos jovens que tem ganhado espaço.

Espanha 4-0 Itália – Superioridade e dinastia dos espanhóis

Com uma grande atuação, a Espanha venceu a Itália e garantiu o título da Euro 2012, superando os problemas de baixo rendimento ofensivo durante a campanha na competição disputa na Polônia e Ucrânia.

Nos primeiros 15 minutos, a Espanha jogou o que ainda não havia jogado em toda a Euro 2012, envolvendo a Itália com seu toque de bola e dificultando o jogo italiano ao pressionar Andrea Pirlo – com e sem a bola. Assim, o gol espanhol saiu aos 13 minutos, com David Silva, após ótimos passes de Andrés Iniesta e Cesc Fàbregas.

Após sofrer o gol, a Itália passou a dominar a posse de bola, mas tinha dificuldades na hora de atacar, muito por conta da pressão de Xavi Hernández (grande atuação do número oito) sobre Andrea Pirlo, o que obrigava os italianos a buscar a saída pelos lados do campo, onde não tinha grande profundidade. E foi justamente quando a Itália tinha maior domínio que a Espanha chegou ao segundo gol, com Jordi Alba, após grande passe de Xavi em saída rápida para o ataque.

O segundo tempo começou com a Espanha dominando, mostrando toda a qualidade de seu toque de bola, dando a entender que poderia chegar ao terceiro gol a qualquer momento. Porém, o que acabou fazendo a diferença foi à lesão de Thiago Motta, quando a Itália já havia feito as suas três substituições e ainda acreditava na busca pelo empate. Jogar com 10 jogadores contra a Espanha e precisando de dois gols para igualar a partida se mostrou muito difícil para a Itália, com os espanhóis chegando a mais dois gols (com Fernando Torres e Juan Mata) para confirmar a conquista de sua terceira UEFA Euro, a segunda consecutiva.

Vitória justa para a Espanha, que foi superior durante a partida. A ótima atuação na final acaba sendo bom para os espanhóis, que não jogaram bem durante a campanha, mas acabaram fazendo por merecer o título. Para a Itália, o vice-campeonato está acima do imaginado antes do início da Euro. O título era possível, mas ter chegado a final já foi uma grande vitória para os italianos.

Espanha-Itália – Espanhóis pelo domínio mundial; Italianos em busca da surpresa

Espanha-Itália tem tudo para protagonizar uma grande final na Euro 2012. Um dos indícios para isso foi o encontro entre as seleções na primeira fase, quando o jogo terminou empatado em 1-1, com muita emoção, grande nível técnico e ritmo muito acelerado.

Nesse momento, vejo a Itália um nível acima da Espanha para a final. Enquanto que os espanhóis ainda têm duvidas para seu time titular, não tem conseguido demonstrar grande nível futebolístico e tendo a efetividade de seu toque de bola questionável, os italianos tem seu plano de jogo definido e sabem o que fazer, se tornando ainda mais fortes depois do ganho de confiança de Mario Balotelli após a semifinal contra a Alemanha.

Falando em possíveis acontecimentos durante os 90 minutos de bola rolando, a Itália, assim como fez Portugal na semifinal contra a Espanha, tem tudo para conseguir equilibrar o jogo em termos de posse de bola, especialmente pela capacidade de marcação e passe dos quatro meio-campistas da Azzurra (Claudio Marchisio, Andrea Pirlo, Daniele de Rossi e Riccardo Montolivo), que também conseguiram criar diversas adversidades ao excelente meio-campo alemão na semifinal.

No final das contas, posso estar enganado, mas acho que a Espanha precisa mudanças em seu time titular para a final. Jogar com um atacante de verdade (Fernando Torres ou Álvaro Negredo) pode até acrescentar profundidade ofensiva, mas a presença de Cesc Fàbregas como “falso nove” para ajudar no toque de bola espanhol é fundamental, ainda mais contra o excelente meio-campo italiano. Além disso, acho muito improvável que Vicente del Bosque mude algo, mas está claro como Jesús Navas e Pedro Rodríguez são opções para melhorar a velocidade ofensiva da Espanha no segundo tempo – é bom destacar como a maioria dos melhores momentos da Espanha na Euro 2012 aconteceram com Navas e/ou Pedro em campo.

Outro ponto a se destacar é à força da linha defensiva de ambas as seleções, com a Itália sofrendo apenas três gols na Euro 2012, enquanto que a Espanha sofreu apenas um gol em cinco jogos – gol sofrido justamente para a Itália, na primeira rodada. Se a Itália tem a seu favor um melhor rendimento no meio-campo e ataque durante a competição, a força defensiva demonstrada pela Espanha pode fazer muita diferença na final. Ao contrário dos times de 2008 e 2010, a atual seleção espanhola é muito segura defensivamente e dificilmente sofre perigo. A semifinal contra Portugal mostra bem isso, com a Espanha não fazendo uma boa partida ofensiva, mas também jamais sendo muito ameaçada pelos portugueses.